A arte de viver PDF Imprimir E-mail
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Diversos

Por Carlos Alberto Da Cás*

Até que ponto somos livres? Pesquisas revelam a influência da genética em nossas vidas. Porém, nossas atitudes podem e devem mudar o curso. A aprendizagem é decisiva. Para sermos livres precisamos educar sentimentos e instintos primitivos. Por exemplo, como é difícil ter paciência nesse mundo agitado e às vezes insensato. O controle não se resume ao não. É ação eficaz; é o prazer da nossa responsabilidade; é saber manipular o ambiente com sabedoria e ética. Porém isso não é tão simples.

Estabelecer regras é fundamental desde a infância, até para preservar a segurança. Aos sete anos temos a capacidade de entender limites e dominar habilidades cognitivas e motoras. O controle saudável ensina e prepara para esse novo mundo, pleno de ânsias e ameaças. Aprende-se o que deve ou não ser feito, o que pode e o que não pode, incluindo o saber perder. Na adolescência lutamos para conquistar o nosso controle, diante da amplitude de contextos: escola, família, rua, tribo, internet, televisão, etc. Essa complexidade pode gerar forte sensação de impotência. Então é preciso trabalhar a confiança. A maioria dos jovens luta por sua autonomia. Porém tudo é difícil: modificar o superego, a consciência moral e formar um sistema pessoal de valores. Surgem culpas e ansiedades. É hora de resolver a crise de identidade. Esse conflito é acelerado pela rapidez de mudanças. Alguns respondem com arrogância ou alienação, outros são moldados por tribos perigosas. Por outro lado, alguns pais adotam a confortável ilusão de dependência. Porém o futuro poderá apresentar a conta desse comodismo passageiro. Outra atitude é a omissão ou a mentira: aquele "põe debaixo do tapete, tudo passa". Enquanto que o sensato é incentivar a autonomia gradativa e consciente, com confiança.

O destino rege as nossas vidas com mão misteriosa. Ceder o controle, dentro de um contexto, pode ser uma questão de bom senso; outras vezes um grande problema. Às vezes enriquece, outras limita e destrói. Como não se entregar a essas forças indomáveis? Como combatê-las? Como chegar, dominando-as? O apoio e o afeto da família e amigos pode nos proteger desse duros golpes da vida. Alguns têm dificuldades de desistir quando é a hora. Talvez temem o efeito terrível à reputação? Aprendemos que manter a posição é louvável. Porém, uma persistência patológica nos mantém prisioneiros de um emprego sem futuro, relacionamento doente ou lutas invencíveis, apenas isso. Precisamos saber quando reter e quando soltar às rédeas do destino. Num saudável relacionamento compartilhar é o segredo, reconhecendo diferenças. Normalmente o autoritário pensa que é livre, mas carrega fortes marcas do seu passado. A aquiescência é harmoniosa quando nossa conduta corresponde às nossas convicções. Uma submissão madura a algo além de nós mesmos não implica abdicar de nosso controle moral. Há diversos exemplos: ajustar interesses para manter uma boa relação; deixar os filhos viverem as suas vidas no momento adequado; delegar autoridade; ter disciplina consciente, desistir quando ideal; servir a um propósito maior, entre outros.

Enfim, nesse mundo de múltiplas escolhas precisamos decidir quando usá-las ou abandoná-las. Podemos trabalhar com afinco, manter chamas ardendo, escolher amigos, trilhas e tudo o mais. Podemos ser competentes, prudentes, persistentes, resistentes para enfrentar dificuldades, atentos e sensatos, mas nem sempre podemos impedir que a vida rodopie e saia do controle. Diante desse conflito a bússola de sólidos princípios e valores evita desviar das metas e ajuda a gerir a natural culpa, e prosseguir na imensa alegria de viver.

* General, Doutor em Aplicações, Planejamento e Estudos Militares e MBA Executivo da FGV.

Use o endereço de e-mail para falar com o autor: rcdacas@hotmail.com

 

 

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