Levanta-te filho da Pátria. O dia da glória chegou Imprimir
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Por Geraldo Hernandes

Allons enfants de la Patrie. Le jour de gloire est arrivée (Levanta-te filho da Pátria. O dia da glória chegou)

Os ideais que impulsionaram o povo francês na marcha à Bastilha, em protesto contra os desmandos da elite dominante na época, deflagrando a revolução que alterou profundamente o rumo da história universal, deveriam ser objeto de reflexão do eleitor brasileiro consciente dos problemas de ordem moral, social e econômica que a nossa classe dominante – em todos os níveis – acarreta ao exercer o cargo com o único propósito de garantir tranqüilidade econômica no futuro, se refestelar com as benesses auto concedidas no presente e fazer mergulhar no esquecimento a parte que lhe compete da lama do passado.

 

Exceções há, mas em quantidade tão minúscula que não consegue se consegue conter um sentimento de generalização.

A caminho da urna reflita sobre os ideais da revolução francesa:

LIBERDADE: A liberdade, como muitos imaginam, não se resume ao fato de poder agir, conforme convicções próprias. A liberdade plena se configura no direito a todos, sem distinção, de uma vida digna sem preocupações de qualquer natureza dentro dos limites da ordem social democraticamente estabelecidos e aceitos pelo povo.

Num sistema onde as leis mais protegem do que punem traficantes, qual pai não se preocupa com o futuro dos filhos a caminho da adolescência?

Temos liberdade para exigir respeito a autoridades ou funcionários sem que isso seja interpretado como desacato?

Existe a liberdade de se passear numa praça sem se preocupar com trombadinhas e trombadões?

As crianças têm liberdade de ir para a escola sem medo de seqüestros, assédio de traficantes ou ataques de cães perigosos?

Já não se vê pessoas conversando no portão; visinhos mal se conhecem. O povo vive enjaulado em suas casas; a liberdade de uma vida social sadia esfumou-se.

Os jovens não sentem tanto porque já nasceram dentro de uma prisão domiciliar. São como pássaros criados em gaiolas. Mas os idosos, principalmente os que viveram nas pequenas cidades, carregam na alma a nostalgia dos tempos em que conheciam a verdadeira liberdade.

FRATERNIDADE: Um governo que destina 7,5 milhões a uma ONG que tem por finalidade discutir a nomenclatura dos corpos celestes enquanto pessoas morrem nas filas de espera de hospitais públicos está preocupado com a saúde da Nação?

Um governo que dá ao pobre uma miserável bolsa pecuniária com a intenção precípua de fazer gotejar na urna mais um voto favorável está preocupado com a fome que grassa nas camadas menos favorecidas?

A Fraternidade almejada pelos revolucionários franceses não se limitava ao relacionamento cordial entre as pessoas: queriam um regime em perfeita harmonia entre governantes e governados; um regime com direitos e deveres definidos, aceitos e respeitados pelo povo. Um regime até certo ponto mais paterno que fraterno.

IGUALDADE: A lei mais desrespeitada da Constituição é o Art. 5° dos Princípios dos Direitos Fundamentais: "Todos são iguais perante a lei, etc. ..."

Um Jean Valjean tupiniquim tem tratamento igual ao de qualquer um dos inúmeros solapadores dos cofres públicos? Claro que não!

Se comprovada a culpa ou houver indícios suficientes para abertura de processo contra um político, por que ele só pode ser processado com autorização da instituição a qual pertence?

Mesmo que a acusação seja por motivos políticos, se comprovada a existência do ilícito, o acusado, seja um político, magistrado ou governante deveria prestar contas à Justiça como qualquer cidadão comum.

Como confiar em uma justiça cujos máximos pretores são escolhidos por uma única pessoa entre os de sua patuléia, conforme o grau de sujeição?

Nosso "le jour de gloire" não é um sonho impossível, mas enquanto vigorar a impunidade não teremos IGUALDADE, enquanto não existir consciência política não teremos LIBERDADE, enquanto não nos dermos as mãos não teremos FRATERNIDADE, enquanto ficarmos acreditando que apenas com eleições vamos moralizar nossas instituições e resgatar a dignidade da nação jamais teremos COISA ALGUMA.

ISSO DEVERIA SER ENSINADO NAS ESCOLAS.

Geraldo Hernandes – eleitor n°1326801601-59 - Santo André-SP

T026 – 07/12