Apesar de tudo, continuemos! Imprimir
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Por Aileda de Mattos Oliveira, em 03 Set 2014 

O Brasil deveria se deitar no divã de um psicanalista. Embora duvidoso o resultado, não deixa de ser uma tentativa de cura percorrer pelos caminhos inversos numa regressão às profundezas de sua formação e encontrar o porquê de ser infelicitado por tantos, inclusive, pelos de casa.

Assemelha-se a um pai capiau, com a ingenuidade pindorâmica dos tempos do paraíso selvagem, e com muitos e muitos filhos matreiros. Esta também é a imagem projetada no mundo. Todos, de dentro e de fora, lhe tomam a carteira sem a menor cerimônia, e porque lhe disseram ser pacífico e cordial, para que armas para se defender?

Os filhos, a maioria sem a mão firme da autoridade paterna, descambou para o ócio festeiro e futebolístico; outros, sem lhe dedicar amor filial, vendem a riqueza do pai num entreguismo frenético. Outros ainda, mercenários, ganham, lá fora, sem trabalho, sem esforço, trocando informações sigilosas e patrimônio de toda a família pela engorda do capital pessoal, traindo sua gente, a mãe terra e o pai que lhes deu o nome.

Que pode o Brasil fazer para purificar o seu sêmen e gerar filhos melhores?

Concluímos que seria inútil o divã de um especialista, pois a transcendentalidade do fato parece que fala mais alto. É o que nos leva a pensar.

De que adiantou D. Pedro I ter arrancado do seu ombro as fitas simbólicas da Coroa, se o Brasil, desajeitado, continua atrelado ao que há de mais pernicioso e repugnante em matéria de políticos e de política internacional?

De que adiantou D. Pedro I ter posto em segundo plano a realeza portuguesa para livrar dessa própria realeza a colônia, transformada, cento e noventa e dois anos depois, em abestado país?

Fez o que pôde o jovem Imperador. O sonho que acalentou de transformá-lo numa terra independente, sem o desdém e a discriminação de seus próprios filhos, nunca se realizou. Carcomido pela ambição doentia dos descendentes malditos que não o protegem, apenas gatunam o seu erário, está sendo transformado por eles em títere de amigos delinquentes pela inação do restante de sua prole corrompida.

D. Pedro I, de onde está, vê um país cabisbaixo, trôpego, sem rumo, pelos maus tratos contínuos que lhe aplicam os filhos traiçoeiros que abrem a esttanhos as portas de seu tesouro natural.

Apesar do desvio de caráter de grande número dos filhos do Brasil, não podemos esquecer que somos a parte digna e consciente de sua prole e que, com esforço inaudito, tentamos soerguer o pai sofrido e convencê-lo a deserdar e a expulsar, de vez, de sua casa, a cambada de bastardos que o quer em cativeiro.

Apesar das constantes tentativas de parricídio pelos mais degenerados, continuemos a luta e aumentemos o som da História para ouvir, ainda que longe, o Grito de Independência bradado pelo idealista e impetuoso Imperador, com as testemunhas de sempre: as Forças.

Saudemos, pois, o Sete de Setembro!

(Dr.ª em Língua Portuguesa e membro da Academia Brasileira de Defesa.