Área internacional, ONU, Líbia e nosso País PDF Imprimir E-mail
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Notícias

Gelio Fregapani *

Na área internacional
Tudo indica estar no final a resistência da Líbia. Demorou muito; um país quase deserto sem indústrias, sem amigos na fronteira por onde pudessem receber armas e munições, dividido 

entre tribos e facções hostis, com rebeldes armados e treinados pelas melhores Forças Especiais e bombardeado continuamente pelas mais poderosas Forças Aéreas do mundo sem a menor possibilidade de revidar, julgamos que durou muito. Agora é esperar a prisão, um julgamento de mentirinha, o enforcamento e a ocupação por forças da ONU/OTAN sob o título de Força de Paz..

Estes tristes episódios podem servir de alerta a países detentores de matérias primas, em especial petróleo ou outros recursos naturais escassos. Primeiro foi o Iraque, sob o pretexto de possuir armas de destruição em massa, sem contar o Afeganistão e agora a Líbia, sob a desculpa de proteção à população civil. Acredita-se que a próxima seja a Síria, não pelo petróleo, mas por ser o caminho para o Irã, que seria o objetivo principal.

Pode-se atender à ONU?
A ONU foi criada para unir as Nações, mas tem servido apenas para os interesses dos países hegemônicos. Os Membros permanentes do Conselho têm o objetivo de dar às indústrias nucleares dos seus países, a certeza necessária de que jamais, terão novos concorrentes no poder militar nem no mercado internacional nuclear.

Os Tratados e Protocolos Internacionais na área da energia nuclear têm forçado os demais a paralisarem as pesquisas tecnológicas, se conformarem em ser eternos Estados extrator-fornecedores de matéria-prima nuclear e apenas compradores de tecnologia do urânio enriquecido, para fins pacíficos.

O Poder necessário para dissuadir eventuais antagonistas.
A Índia e a China foram obrigadas a se fecharem por mais de 60 anos, para conseguirem a tecnologia nuclear e conseguirem ter o poder dissuasório. Fizeram a bomba, são respeitados e fabricam todo tipo de produtos, os quais são comercializados e distribuídos ao redor do mundo, justamente, pelos seus principais e maiores sócios comerciais: os Estados nuclearmente desenvolvidos, os ex-antagonistas. Teriam o Iraque e a Líbia sido alvos de ataque se tivessem desenvolvido a bomba? Talvez, se pudessem as desativar. Por falar nisto, o que mesmo que aconteceu em Alcântara?

Em nosso País
- O governo federal anunciará em setembro medidas para aperfeiçoar os processos de licenciamento ambiental de projetos de infraestrutura no país. Os confusos critérios e a má vontade de membros do Ibama com a ocupação da Amazônia têm retardado desnecessariamente a construção de hidrelétricas e até o simples asfaltamento de estradas. Espera-se agora que “haja mais racionalidade”.

Tomando consciência do erro. Em audiência pública, na comissão de Agricultura da Câmara, mais de dez deputados propuseram que seja refeita a criminosa demarcação de reserva Raposa-Serra do Sol.

Não se fala na Abin. Ótimo; bons serviços de Inteligência trabalham na moita. Entretanto trabalham. Não fosse a VEJA, a presidente Dilma teria mantido a Erenice; tudo continuaria como dantes nos Ministérios dos Transportes e da Agricultura; e o Dirceu tocaria em paz o seu governo paralelo. A continuar assim teríamos que dar razão ao Collor, quando falou que seu SNI seria a imprensa, mas isto só funciona, quando os interesses da mídia estrangeira coincidir com os interesses nacionais. As vezes até acontece.

- Preocupantes as notícias de que o fluoreto de sódio, acrescentado à água para evitar as cáries em alguns países, seja um meio químico de “tornar dóceis” os povos escolhidos para a dominação, e que seja inclusive prejudicial à saúde.

- Mais preocupante ainda a debilidade militar do País. Não é suficiente termos bons soldados se prejudicamos nossas indústrias de armas. Consta que o Iraque, militarmente muito mais preparado, teve chips de mecanismos militares desativados pelos britânicos, detentores dos códigos. E nós? Controlamos o mais simples – a pólvora de armas portáteis? A quem pertence a CBC? Se ela for realmente estrangeira, nos arriscamos a ficar sem munição até para guerrilhas.

Enquanto isto o mau uso de regras burocráticas ou talvez algo mais impede uma nova fábrica de cartuchos, de propriedade nacional. Que o comandante do Exército fique alerta.

O texto abaixo, “ Algumas das razões do ataque à Líbia” foi baseado em artigo do Dr. Adriano Benayon **.


1) Kadafi converteu em ouro os dólares das reservas líbias, colocou-o a salvo de banqueiros estadunidenses e propôs realizar transações internacionais através de moeda própria, a ser criada regionalmente na África, acentuando a não aceitação do dólar;

2) ter a Líbia sido considerada presa fácil do ponto de vista militar, e que as divisões tribais facilitariam o êxito uma subversão financiada, apoiada por tropas especiais da OTAN. Não contavam que houvesse grande resistência.

3) ter Kadafi incentivado o ataque ao fazer concessões pensando em aliviar pressões. Isso acentuou a fraqueza da vítima, como aconteceu também no caso do Iraque.

4) Ser um bom ponto de partida para guerra mais ampla, como solução da crise financeira e válvula de escape, face a insatisfação interna.

5) Testar a China e a Rússia vendo se poderão avançar sem risco.

6) Privilegiar as companhias do cartel anglo-americano e afastar as chinesas, russas e indianas e até brasileiras, do petróleo líbio.

7) No caso da França, foi facilitar a privatização das águas do projeto “Grande Rio” em benefício da companhia Suez e outras francesas.

8) É sob o impacto de tantas demonstrações que se aproxima o décimo aniversário, em 11 de setembro, de outra conspiração criminosa: a implosão, planejada por eles mesmos, das Torres Gêmeas de Nova York, para, junto com outras mentiras, condicionar as pessoas para ver como inimigos a quem pretendem tomar algo.

 

** Adriano Benayon é Doutor em Economia, talvez o mais lúcido deles. É Autor do livro “Globalização versus Desenvolvimento”, editora Escrituras.

E mail: abenayon@...

Conclusão

Grandes acontecimentos nos aguardam. O mundo está em véspera de uma escalada guerreira. Não vamos dispor da bomba em tempo necessário, mas se nos prepararmos para uma guerrilha sem fim, seremos respeitados e poderemos negociar em posição de força.

Que Deus guarde a todos nós

* Cel da Reserva do Exército

 

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