Venda de armas e munição disparam nos EEUU Imprimir
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Por Francisco Viana (da mídia internacional)

Sábado, 12 de janeiro de 2012

As pessoas em todos os EUA correm para expandir seus arsenais domésticos prevendo que restrições de algum tipo à compra, porte e uso de armas sejam impostas por Washington, que começa a discutir a proposta do Vice Presidente Joseph R. Biden Jr. para 'coibir' a violência armada no país que tem um dos menores índices de assassinatos por arma de fogo do mundo.

Associated Press – Numa loja de armas em Casper, no Wyoming.,no fim do ano passado, uma vitrine que normalmente exibe cerca de 25 rifles do tipo militar estava quase vazia.

Numa perquena loja de armas de Atlanta, uma aglomeração de pessoas, entre elas um pastor da cidade de Knoxville, no Tennessee, encontravam dificuldades de comprar armas, tendo em vista a já falta de estoques e as poucas opções de compra, numa situação típica em que a oferta está muito inferior à procura. Com suas prateleiras praticamente vazias, até as lojas de departamento de alta capacidade, que em alguns estados já receberam pressão mediante avisos de proibições iminentes, estavam enviando vendedores para todo o país para o abastecimento de armas em níveis pelo menos aceitáveis. Um dos fornecedores de Iowa disse que esses atacadistas já estão a cobrar preços quase cinco vezes maiores do que praticavam há algumas semanas.

Os empresários do mercado de armas disseram que o rápido aumento da procura por seus produtos — que começou a aumentar exponencialmente depois da reeleição do Presidente Obama e disparou depois da chacina de 14 de dezembro último numa escola primária de Newtown, em Connecticut. A procura, mesmo depois que o governo começou a falar que vai propor novas leis para o comércio de armas — praticamente não reduziu, levando o produto a uma situação de desabastecimento.

Apesar de os EUA terem o menor índice de assassinatos por arma de fogo do mundo (cerca de 2,6 por 100.000 habitantes, segundo a última estatística da Organização Mundial de Saúde da ONU), enquanto a maioria dos países onde as armas são proibidas esse índice chega a ser dez a vinte vezes maior em media, o arsenal particular dos americanos mostra um aumento de mais de 2,2 milhões de armas de todos os tipos adquirido em 2011, o que representa um aumento da capacidade armada do povo americano de 58,6 milhões de armas dos mais variados tipos, calibres e capacidades. Alguns revendedores de armas disseram à mídia que nunca viram tal aumento de demanda de armas no país. "Se eu tivesse mil fuzis AR-15, acho que os venderia em uma semana", disse um deles, da cidade de Des Moines, referindo-se à popularidade da arma que o insano Adam Lanza usou para matar 20 crianças e seis adultos na citada escola primária de Newtown. "Quando fecho a loja, as pessoas ficam batendo na porta e pedindo para entrar, agitando o dinheiro para mim", acrescentou.

Muitos analistas afirmam que tal procura se deve à perspectiva da aprovação iminente de leis e regulamentos que ir tolher de alguma forma o direito garantido pela Segunda Emenda à Constituição de possuir armas e munições, bem como portá-las em muitos condados do país.

Todavia, há já alguns que analisam a situação como uma preparação do povo para possíveis enfrentamentos contra medidas que possam ser consideradas inconstitucionais e que possam cercear tal direito do povo possuir e portar armas. Outros esperam que as ações governamentais de proibição se restrinjam às armas de guerra e de grosso calibre, bem como uma nova regulamentação do uso de armas de caça. Mesmo nessa eventualidade, o americano comum vê isso tudo com muita desconfiança e receio.

Acreditam que a pressão dos grupos que querem o controle de armas e a sua proibição estejam pressionando a Casa Branca que, no entanto não parece querer gastar muita energia com algo que dificilmente o Congresso aprovará, como uma proibição geral, ou mesmo parcial, de armas de assalto. Os políticos parecem querer priorizar a exigência e o endurecimento da capacitação de quem possa ter e portar armas, aumentando paralelamente o rigor e a intensidade do tráfico de armas irregulares no território americano.

De um modo geral, os americanos se opõem bravamente a qualquer restrição à compra, estoque, e porte de armas e munições, mas consideram útil e correto que haja uma exigência maior e mais ampla sobre a qualificação técnico-operacional e psicossocial das pessoas que querem usar o direito garantido pela Segunda Emenda. "Sou contra permitir que pessoas desequilibradas, despreparadas, e mentalmente perturbadas tenham armas", declarou a proprietária da loja Greta's Guns, de Simi Valley, a 25 milhas de Los Angeles, na Califórnia, um dos estados mais armados da União. "Para que alguém tenha uma arma de fogo, é necessário que, além de saber manipular e usar corretamente essa arma, ela seja também psicossocialmente estável, radicada e estabelecida, e tenha patrimônio suficiente para suportar eventuais ações legais impetradas em função do uso de suas armas", completou. Essa parece ser a ideia majoritária da população educada do país.

Os americanos parecem temer, por um lado, qualquer proibição que possa ser inconstitucional, mas, por outro lado, parecem também preocupados com futuras ondas de agitação social, promovidas principalmente - segundo eles - por imigrantes hispanos e por grupos islâmicos. Temem também o aumento da criminalidade na medida em que a população venha a ser, de qualquer modo, impedida de possuir, portar e usar armas de forma legal, como acontece na totalidade dos países onde as armas são proibidas.