IBAMA e EMBRAPA realizam treinamento sobre controle de javalis PDF Imprimir E-mail
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Política

Eng. Agr. Cristiano Furtado (Tino)

Resumo detalhado da palestra sobre javalis na UFG em Goiânia

O encontro entre autoridades e os caçadores (ou melhor, controladores) de javalis em Goiânia ontem dia 07/02/2015 foi muito proveitoso, na verdade não foi apenas uma palestra oferecida pelas autoridades que regulamentam o controle e sim um treinamento... Treinamento para que?

Antes de responder a essa pergunta farei um pequeno resumo sobre o que se passa.

Pra que o Brasil continue (e aumente) a exportação de carne suína e bovina para toda a Europa e países asiático (China principalmente) ele precisa receber um certificado internacional emitido pela organização mundial de saúde animal (OIE). Esse certificado é emitido por estados e dentre outras coisas ele garante ao consumidor europeu e asiático que a nossa carne está livre de uma serie de doenças altamente contagiosas e de grande risco para a saúde humana e animal. Dentre varias que foram citadas as mais perigosas são a peste suína clássica, no caso de todos os suídeos, e a febre aftosa no caso dos bovinos.

O que ocorre é que o javali ou o porco asselvajado pode ser o agente dispersor das duas doenças. Isso já aconteceu na Espanha e vem acontecendo no leste da Europa com javalis que vem da Rússia. Assim a OIE exigiu do Brasil provas reais de que a nossa população de javalis selvagem não tem nenhum tipo de contaminação. A pressão política é enorme e o governo brasileiro está desesperado com a situação, pois estão em jogo contratos milionários de exportação.

Tirar sangue e monitorar porcos de criatório é fácil, mas fazer isso com javalis selvagens é bem mais complicado. E foi por isso que nós, caçadores experientes, de repente ganhamos valor!!!

O governo precisa de nós como nunca precisou... Estão nos tratando como os salvadores da pátria, o primeiro palestrante do IBAMA gastou metade do tempo "tirando o nosso medo" oferecendo apoio e se colocando do nosso lado. A segunda palestrante, da Agrodefesa, seguiu a mesma linha... fiquei meio sem entender até que iniciou-se a palestra da doutora Virginia Santiago, veterinária da Embrapa suínos de SC e chefe do projeto. Que tratou exclusivamente da questão das doenças, ai sim entendi porque estavam nos tratando tão bem.

Entendendo a situação, não pude perder a oportunidade de deixar o nosso recado. Quem estava presente me viu erguer a mão, interromper e falar sobre a marginalização do caçador esportivo e sobre a necessidade de uma legislação que regulamente a caça esportiva no Brasil, não só como controle do javali, mas como garantia e segurança das nossas espécies nativas. Citei o modelo americano de caça sustentável, e falei de outros desequilíbrios perigosos e que geram diversos prejuízos ambientais e econômicos como o búfalo em Rondônia e os patos e marrecos nas lavoras de arroz em Goiás e Tocantins. Eles me ouviram pacientemente e concordaram com tudo que eu disse, nos mostraram o quanto à questão é complicada e o quanto os ecologistas exercem pressão sobre eles (muita mesmo)...mas no fim percebi que tudo depende de conversa entendimento e relacionamento.

Não tive muito tempo para falar, mas foi bom poder nos separar dos caçadores predadores e mortos de fome sem nenhum interesse na legalização. A minha contribuição foi um grão de areia no deserto, mas eles ouviram e agora sabem que somos tão ou mais preocupados que eles com a questão da caça sustentável e regulamentada no Brasil. No fim da palestra a doutora Virginia Santiago da Embrapa suínos, que era a principal palestrante e uma das maiores autoridades brasileiras, veio me procurar e disse que ficou surpresa com a nossa mentalidade e o nível de informação de todo o grupo, Ela confessou que esperava encontrar um bando de caçadores roceiros que gostam de comer carne de javali. Trocamos e-mails e manteremos contato, vejo ela como uma pessoa chave no projeto pois ela é a mulher do governo federal que está no comando, o elo de ligação dos três órgãos que regulamentam o abate do javali hoje no brasil. IBAMA, AGRODEFESA e EXERCITO (não foi nenhum representando do exercito, infelizmente)

Depois da palestra fomos selecionados (quem esta legal e registrado no IBAMA e quem não esta) e depois treinados. O treinamento incluiu amostragem de fotos e explicação sobre sintomas das principais doenças dando prioridade para a peste suína e febre aftosa em porcos. Depois fomos para o departamento de necropsia veterinária, onde foram abatidos dois porcos e tivemos aula pratica sobre a coleta de sangue, pelo coração e pelo olho, como fazer, que tipo de sangue eles querem, como obter o soro como armazenar e onde e como enviar para o pessoal da Agrodefesa essas amostras.

No fim da tarde passamos de meros caçadores esportivos a "funcionários do governo" com kits de coleta, folder sobre: doença, biosseguridade, certificados e termos de compromisso protocolados junto a Agrodefesa para o envio de sangue (em alguns casos vísceras) e relatórios detalhados com informações sobre local, e situação dos animais abatidos.

Saímos, também, com todos os contatos (policias, chefes de batalhões ambientais, e autoridades do IBAMA e da Embrapa) para ser usado no caso de algum desinformado tentar barrar o nosso importante trabalho.

Apesar do governo nos USAR para esse trabalho, vi tudo isso como uma excelente oportunidade para mostrarmos a nossa cara, as nossas boas intenções e por fim o nosso valor em algo realmente importante para o país. Fizemos grandes contatos, conhecemos gente grande e, sem duvida nenhuma, deixaremos uma visão diferente do caçador esportivo junto as autoridades brasileiras... vamos enviar tanto material que eles ficarão surpresos.

OBS: esse é um trabalho sério que vai abranger todo o Brasil, a doutora Virginia Santiago e sua equipe irá continuar percorrendo o Brasil com sua missão de treinar e capacitar outros caçadores.

Legalizem-se, entrem no site do IBAMA (www.ibama.gov.br) e se cadastrem. Eu o Pedro e o Daniel Terra estamos em contato direto com ela e informaremos aqui quando houver cursos em outros estados.

 

 

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