Conselho e realidade PDF Imprimir E-mail
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Opinião

Por Carlos Alberto Da Cás*

Diante das terríveis tragédias patrocinadas pela intolerância, a humanidade se manifesta. E inevitavelmente há a influência das tintas de cada pintor e suas raízes nessa aquarela multicolorida. Nesse cadinho circula tudo: interpretações pragmáticas, ideológicas, pessoais, religiosas, etc. Assim, o Papa Francisco, já criticado por tradicionais pela "ousada" modernidade, deu o seu conselho: criticou o fundamentalismo mas aconselhou o ocidente a não acender similares estopins e a perdoar. Fez o seu papel como líder religioso. Foi mais um bom conselho, mas o mundo rebelde infelizmente nem sempre houve a voz da razão ou da espiritualidade. Enfim, até nesses novos tempos ainda se mata em nome de Deus. Marx imaginou um mundo fraterno onde todos tinham tudo em comum. Porém a realidade transformou aquela utopia em cruéis tiranias. Mesmo diante dessa realidade histórica ainda há flertes com o socialismo, levando a inevitáveis fracassos sob estados intolerantes como a atual decadente Venezuela. Matizes desse tom incrustadas em outros países na América Latina legaram outras heranças malditas. A Argentina tenta acordar diante do sonífero peronismo e o Brasil do engodo da Década Perdida.

Há o ditado popular que diz: se conselho fosse bom não se dava, vendia-se. Não se trata de criticar conselhos. Eles são bons para a evolução do teimoso homem, eles estão nos livros sagrados, nos sermões fervorosos dos templos, nos milhares de livros de autoajuda, na voz dos padres, rabinos, pastores, monges budistas, entre outros. Entretanto, às vezes, há uma grande distância entre essas vozes e a realidade de um estado sustentável. Neste são fundamentais os parâmetros para resolver as essenciais questões da sociedade: não se vai à frente sem o adequado ordenamento legal e sua aplicação. Na contramão dessa evolução surgem novos atalhos perigosos sob inspiração do vetusto anarquismo, tais como o MST e afins. A Europa hoje vive o sério drama dos refugiados. Fogem dos conflitos alimentados pelo anacrônico fundamentalismo islâmico. Tudo é motivo da ira de seus integrantes: filmes, livros, direitos humanos, outras crenças, a democracia, etc. Esses radicais não aceitam conselhos, suas mentes só veem inimigos diante das naturais diferenças da civilização.

Entre muitas guerras e retrocessos na longa marcha da insensatez da humanidade a sociedade vem evoluindo e aprendendo a viver em conjunto, harmonizando as suas diferenças. O senso é separar o cerne dessa questão, os princípios e valores democráticos comuns, definidos em seu ordenamento legal, das demais demandas particulares ou tribais. Não cabem escolhas em relação aos primeiros. Quanto aos segundos, mesmo os considerados por alguns como prioritários, jamais devem conflitar com os primeiros. É a regra do jogo consensual democrático. Assim não cabe ser livre prejudicando os outros. Nem ferir princípio constitucional ou pragmático em nome de um interesse, ideologia ou religião, tal qual o estranho conselho de sugerir diálogo diante da realidade de um atroz EI (Exército Islâmico) feito pelo Governo Brasileiro.

* General, Doutor em Aplicações, Planejamento e Estudos Militares e MBA Executivo da FGV.

Use o endereço de e-mail para falar com o autor: rcdacas@hotmail.com


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