Atração fatal pelo dinheiro está levando Santana à cadeia PDF Imprimir E-mail
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Opinião

Por Carlos Newton

O jornalista e marqueteiro João Santana e sua mulher Mônica Moura caíram nas malhas da força-tarefa da Lava Jato apenas por ganância. Espantosamente ricos, não tinham a menor necessidade de sonegar impostos, receber pagamentos e propinas ilegais e tentar esconder das autoridades brasileiras a criação da empresa offshore Shellbill Finance S.A., localizada no paraíso fiscal do Panamá. A impressionante cobiça por dinheiro acabou se tornando o ponto fraco de um casal altamente vitorioso, que já faturou a invejável quantia de R$ 229 milhões somente com o PT, desde que começaram a trabalhar na empresa Polis Propaganda e Marketing, que tem os dois como sócios a partir de 2001.

João Santana é um veterano jornalista baiano que teve destaque na profissão ao entrevistar o motorista Eriberto França para a revista IstoÉ, extraindo declarações que ajudaram a derrubar o então presidente Fernando Collor. A reportagem lhe valeu um Prêmio Esso e ele depois passou a trabalhar em marketing eleitoral com seu amigo e conterrâneo Duda Mendonça, com quem atuou na primeira eleição presidencial de Lula. A sócia Mônica Moura é sua sétima mulher e estão juntos há 15 anos.

Desde que Santana se separou de Duda Mendonça e criou a Pólis com a mulher, o faturamento dos dois tem sido impressionante. Além dos 229 milhões pagos oficialmente pelo PT à empresa Pólis, é preciso levar conta a bela receita que Santana teve em 2002 trabalhando para eleger Lula, quando ainda era sócio de Duda Mendonça, além dos trabalhos que vem fazendo desde 2003 em outros países – Argentina, Venezuela, Panamá, República Dominicana, El Salvador e Angola. O total recebido até agora só Santana e Mônica sabem, porque o faturamento é contabilizado no Panamá.

FATURAMENTO OFICIAL

Segundo levantamento feito pela Folha de S. Paulo no sistema eletrônico de prestação de contas do Tribunal Superior Eleitoral, o casal vinha fazendo uma trajetória invejável no ramos da marquetagem.

Em 2002, enquanto trabalhava com o sócio Duda Mendonça na vitoriosa campanha presidencial de Lula,  faturou pela Pólis mais R$ 2,2 milhões para eleger Delcídio Amaral no Senado. Na eleição seguinte, em 2004, a receita diminuiu para R$ 1,6 milhão, embora o trabalho tenha sido em dobro, ao fazer a campanha dos candidatos a prefeito Gilberto Maggioni em Ribeirão Preto e Vander Loubet em Campo Grande.

Mas na eleição seguinte, em 2006, começou a fase das vacas gordas, com a Pólis faturando R$ 24 milhões para reeleger Lula. Daí em diante, foi uma festa, porque em 2008 o PT pagou mais R$ 16 milhões para cuidar das fracassadas campanhas de Gleisi Hoffmann e Marta Suplicy para as prefeituras de Curitiba e São Paulo.

Em 2010, a receita disparou, com Santana e Mônica recebendo R$ 56,8 milhões para fazer a campanha de Dilma Rousseff à Presidência. Logo depois, em 2012, mais uma bela faturada, embolsando R$ 39,3 milhões para trabalhar o marketing de Fernando Haddad em São Paulo. E a grande tacada foi na última eleição, quando a Pólis levou R$ 88,9 milhões para atuar na campanha de Dilma à reeleição, um recorde absoluto na marquetagem da política brasileira.

Convém ressalvar que estes R$ 229 milhões foram o faturamento oficial da Pólis apenas com o cliente PT. Como agora se sabe que o casal Santana também recebia milhões por fora, o total que Santana e Mônica receberam do partido deve ter sido muito maior.

FATURANDO NO EXTERIOR

Desde 2003, João Santana e Mônica Moura passaram a faturar também no exterior, porém jamais divulgaram essas receitas. Somente na Argentina, entre 2003 e 2007 eles coordenaram o marketing político de sete campanhas legislativas, municipais e governamentais.

Em 2009, Santana foi o marqueteiro da vitória de Mauricio Funes em El Salvador, que encerrou 20 anos da hegemonia da direita no país. Na campanha, usou como uma das ferramentas a música brasileira, usando uma versão do samba "Canta Canta, Minha Gente", de Martinho da Vila.

Em 2012, ajudou a reeleger Hugo Chávez, na Venezuela, e atuou como principal articulador da eleição de Danilo Medina na República Dominicana, que derrotou o ex-presidente do país, Hipólito Mejía. Fora da América Latina, ainda assinou a campanha de José Eduardo Santos em Angola – a qual também é alvo de um inquérito da Polícia Federal, sob suspeitas de lavagem de dinheiro.

João Santana voltou a atuar na Venezuela em 2013, trabalhando na campanha do atual presidente Nicolás Maduro. E em 2014 trabalhou por seis meses na campanha de José Domingos Arias no Panamá, que perdeu a eleição para Juan Carlos Varela.

Agora, o casal estava novamente na República Dominicana, tentando reeleger Danilo Medina, quando a prisão dos dois foi decretada pelo juiz federal Sérgio Moro.

NÃO TEM EXPLICAÇÃO

Como é que um homem riquíssimo como Santana, com mais de 60 anos e casado (pela sétima vez) com uma mulher bem mais jovem, arrisca seu futuro e o dela para acumular mais uns milhões no cofrinho, que não fazem a menor diferença?  E por que sujar o nome da própria filha, que passa a ser cúmplice de lavagem de dinheiro? Tudo isso é inexplicável. Mesmo se tivessem várias vidas, Santana e a mulher poderiam aproveitar à vontade e o dinheiro lícito não acabaria, bastava aplicá-lo de forma correta.

Agora, tentarão justificar o que não tem justificativa. Os muitos milhões farão a festa dos advogados deles, enquanto Santana repete a burrice de José Dirceu e está destinado a passar na cadeia grande parte desta fase final da vida, que antecede o juízo final. Como diz Paulinho da Viola, dinheiro na mão é vendaval. E como diz Jorge Benjor, se malandro soubesse como é bom ser honesto, seria honesto só por malandragem, caramba!

Veja como publicado 

http://www.tribunadainternet.com.br/atracao-fatal-pelo-dinheiro-esta-levando-santana-a-cadeia/

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