Mundos paralelos PDF Imprimir E-mail
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Opinião

Por Carlos Alberto Da Cás*

É só ligar a TV ou mergulhar nas ondas sedutoras da internet ou  ler os principais jornais e revistas para ser, diariamente, atacado por bandos de pássaros do pessimismo. A sensação é de um mundo em extinção: geleiras nos polos minguando; nível do mar aumentando para logo engolfar cidades no litoral; o terrorismo inquietando o pretenso mundo pagão; a possível desertificação das florestas tropicais; a seca inevitável na Terra; a 3ª Guerra Mundial; a hegemonia da violência; entre tantas outras mazelas.  Enfim, parece ser a perdição do Mundo. Essa avalanche de tragédias cotidianas provoca as mais diversas reações e propostas de soluções.

Quando se faz um discurso tipo chutar o balde, inquietos e nervosos aplaudem. Quando se propõe o impossível, mas agradável ao ego ou ao ódio, e novamente a claque efusiva responde. A mídia sensacionalista explora. Os movimentos radicais seduzem a tribo rebelde e ansiosa por "mudança" destrambelhada. A violência é apenas um detalhe.  Na famosa fábula, quando o rato esperto propôs colocar o guiso no pescoço do gato, logo veio emotivos aplausos, até o rato consciente alertar sobre quem iria empreender a "nobre" tarefa. Essa atração por soluções fáceis, ideológicas, utópicas e emocionais é antiga, marca a marcha da insensatez humana. Há fartos exemplos: a guilhotina na Revolução Francesa eliminando depois até os sensatos; a exclusão de assessores que fizeram contraponto ao Hitler, diante do inevitável fracasso  nazista; o ímpeto de Bush na invasão do Iraque; a chuva incauta de mísseis do Hamas, matando inocentes e os recentes atentados suicidas contra Israel, prejudicando ainda mais o povo palestino; a intolerância contra os imigrantes, vítimas do fundamentalista islâmico, fomentando as diferenças e rancores, o terrorismo sob diversas matizes,  entre outras muitas facetas perversas da humanidade.

A preocupação em relação ao meio ambiente é real e válida, mas os apaixonados ditos "ecochatos" querem mais: manipulam dados para construir uma imediata catástrofe e paralisar o progresso essencial ao Mundo. Para ser atraído a esse antigo canto da sereia basta uma visão carregada de emoção. Por exemplo, o futebol, um entre centenas de esportes, desperta em alguns essa mesma sina: torcidas viram praças de guerra; o pessimismo invade outras conquistas e a Pátria é vista apenas com chuteiras.

Entretanto, um outro mundo paralelo insiste em manter o seu curso, com as suas vertentes do bem. A tecnologia surpreende a cada dia, facilitando a vida do homem,  na renovação de fontes sustentáveis de energia, na medicina, nos transportes, na difusão do conhecimento, enfim em tudo. Diversas iniciativas unem esforços para construir um planeta melhor, entre tantos outros avanços. E isso, como não é normalmente considerado notícia, tende a ficar na atrás do palco.

Assim, é hora de refletir com isenção, agir pela razão, com coesão e eficácia. Não é tempo de se comportar como gado sob o eco do berrante tocado por um ídolo de barro ou anestesiado por uma ideologia ou causa estranha. Nesse combate vale muito a persistência com eficácia, às vezes a necessária paciência. Atropelos podem queimar etapas fundamentais num processo visando a uma solução permanente. Sonhos utópicos terminam ao amanhecer. E a vida, enfim livre dessas pragas ideológicas, renasce para valer.

* General, Doutor em Aplicações, Planejamento e Estudos Militares e MBA Executivo da FGV.

Use o endereço de e-mail para falar com o autor: rcdacas@hotmail.com

 

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