Poxa, e você fala da queda e não fala da trave? Imprimir
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Diversos

Por Luciano Pires

Daniele Hipolyto se apresentou na Olimpíada do Rio com um desempenho excelente na trave, onde obteve a maior nota da equipe brasileira. Na ginástica solo, ao aterrissar de uma sequência de piruetas, Daniele caiu sentada no chão. Ao se retirar, um jornalista pergunta da queda.
E ela, com um sorriso constrangido responde:

– Poxa, e você fala da queda e não fala da trave? Vocês em vez de ressaltarem a coisa boa, falam logo da queda…

E o jornalista responde:

– A gente fala de coisa ruim primeiro para depois falar de coisa boa…

Aquele jornalista faz parte de uma rede de “especialistas” que acaba nos fazendo abdicar da responsabilidade de pensar. Anestesiados, ouvimos o que ele diz sem perceber que está nos conduzindo, já na pergunta, para a realidade que ele quer. No caso, o fracasso da Daniele.

E sempre aparece um otário para dizer: Ô meu! Mas ela fracassou mesmo!

Sim. Mas também acertou. Qual é o lado que você escolhe, hein?

Tem alguém escolhendo o lado que será apresentado a você, insistindo no negativo, no sombrio. Sonegando o tipo de experiência intelectual que ajudaria você a ficar mais esperto.

É o contraste entre o negativo e o positivo que enriquece nossa capacidade de perceber as nuances do mundo. Que não é feito só de coisas ruins. Nem só de coisas boas. Mas das duas coisas.

Nossa imaginação não é apenas sobre capacidade criativa, mas sobre como vemos e experimentamos o mundo.

Qual janela você escolheu para ver o mundo? Se for a da mídia, é a do entretenimento. Se for a da academia é a da ortodoxia. E se for a da política, é a da ideologia.

E atualmente essas três janelas andam um tédio. E desonestas. Só produzem medo e ressentimento. Só tem olhos para a bunda da Daniele no chão.

Ninguém pode ganhar com isso.

Luciano Pires