O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, declarou neste domingo (7/12) que espera avançar “muito em breve” para a segunda fase do acordo de cessar-fogo na Faixa de Gaza. A afirmação foi feita após reunião em Jerusalém com o chanceler alemão, Friedrich Merz.
Segundo Netanyahu, a primeira fase do entendimento — ainda em andamento — prevê a devolução pelo Hamas do corpo do israelense Ran Gvili, último refém que permanece em poder do grupo. “Concluímos a primeira etapa e agora buscamos iniciar a segunda, tão difícil quanto a anterior”, afirmou.
Desarmamento e força internacional
A próxima etapa, explicou o premiê, baseia-se no plano de paz apresentado pelo então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O documento inclui o desarmamento do Hamas, a desmilitarização de Gaza, a retirada do Exército israelense e o envio de uma força internacional temporária para o território palestino.
Netanyahu disse que discutirá detalhes dessa fase “no fim do mês” e acrescentou que uma terceira etapa, de “desradicalização” de Gaza, só será possível com o desmantelamento completo do Hamas. Ele citou o exemplo da Alemanha pós-Segunda Guerra como precedente de sucesso.
Apoio alemão e visita diplomática
Merz chegou a Israel no sábado (6/12) para sua primeira visita oficial desde que assumiu o cargo de chanceler. O objetivo, informou, é fortalecer a relação bilateral após tensões causadas pela guerra em Gaza e por episódios de violência de colonos na Cisjordânia ocupada.
Durante a agenda, o líder alemão encontrou-se com os ex-reféns Ziv e Gali Berman, que possuem dupla cidadania israelense e alemã e foram sequestrados no ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023. Merz reiterou que “Gaza não deve mais representar ameaça a Israel” e prometeu apoio financeiro à reconstrução do enclave, deixando claro que “o Hamas não pode ter nenhum papel” no futuro da região.
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Negociações em estágio crítico
No sábado, o primeiro-ministro do Catar, Sheikh Mohammed bin Abdulrahman Al Thani, afirmou que as conversas para consolidar o acordo apoiado pelos Estados Unidos atravessam “estágio crítico”. A proposta norte-americana prevê a criação de um Conselho de Paz para administrar a transição em Gaza e autoriza uma força internacional de estabilização a usar “todas as medidas necessárias” para cumprir seu mandato.
Balanço da trégua
Desde o início da trégua, em 10 de outubro, o Hamas devolveu os corpos de 27 reféns e libertou outras 20 pessoas vivas, enquanto Israel soltou aproximadamente 2 mil prisioneiros palestinos. Apesar da redução nos confrontos, as duas partes trocam acusações de violações ao cessar-fogo.
As discussões sobre as novas fases do acordo deverão prosseguir ainda este mês, com Israel e parceiros internacionais tentando construir um caminho que garanta segurança à região e a desmilitarização da Faixa de Gaza.
Com informações de Metrópoles

