O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou na quinta-feira (11.dez.2025) que o Estado está “refém” da Enel devido à lentidão no restabelecimento de energia elétrica após o vendaval que atingiu a Grande São Paulo na quarta (10.dez). As rajadas chegaram a 98,1 km/h e deixaram quase 1,4 milhão de imóveis sem luz, sendo cerca de 1 milhão apenas na capital.
“Não podemos ficar reféns. Todo evento climático repete o problema. Qual a previsibilidade? Quando a energia será restabelecida? As pessoas ficam dias sem luz”, declarou o governador, prevendo que a normalização levará “alguns dias”.
Equipes insuficientes
Tarcísio criticou o número de equipes de campo disponibilizadas pela concessionária. Segundo ele, os efetivos passaram de 1.200 para 1.600, mas continuam “absolutamente insuficientes” diante dos 2,2 milhões de consumidores que chegaram a ficar sem fornecimento logo após a tempestade.
O governador disse ter sugerido ao Ministério de Minas e Energia e à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) a abertura de processo de caducidade e até intervenção federal na empresa. Para ele, a área atendida pela Enel é extensa demais para uma única operadora e o contrato, que vence em 2028, deveria ser dividido para incentivar investimentos e modernizar a rede.
Impacto em serviços públicos
A interrupção no fornecimento refletiu no trânsito da capital, onde cerca de 300 semáforos ficaram apagados; 260 devido à falta de energia, 28 por falhas técnicas e o restante em amarelo piscante, segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). O vendaval também derrubou ao menos 231 árvores.
Nos aeroportos de Guarulhos e Congonhas, 344 voos foram cancelados entre quarta (10.dez) e a manhã de quinta (11.dez). Guarulhos registrou 15 partidas e 39 chegadas canceladas; Congonhas teve 31 chegadas e 15 partidas suspensas. Passageiros formaram longas filas e alguns passaram a noite nos terminais. Houve reflexos ainda nos aeroportos do Rio de Janeiro e de Brasília.
Imagem: Reprodução/Instagram
O abastecimento de água também foi comprometido. Sem eletricidade, bombas da Sabesp pararam de operar em bairros como Americanópolis, Cangaíba, Parelheiros, Parque do Carmo, Parque Savoy, Sacomã, Vila Clara, Vila Formosa e Vila Romana. Na região metropolitana, Itapecerica da Serra, Guarulhos, Cajamar, Mauá e Santa Isabel enfrentaram problemas semelhantes.
O impasse sobre a renovação da concessão permanece. A Enel pleiteia prorrogação por mais 30 anos, proposta que o governo paulista rejeita alegando falta de estímulo a investimentos.
Com informações de Poder360

