A Polícia Federal cumpriu, nesta sexta-feira (12/12), mandados de busca e apreensão autorizados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em inquérito que apura desvio de emendas parlamentares. O principal alvo é a ex-assessora do ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL), Mariângela Fialek, conhecida como “Tuca”. A investigação tem como base o depoimento do deputado Glauber Braga (PSOL-RJ), colhido pela PF.
Braga relatou aos investigadores que um grupo restrito de deputados e senadores ligado à antiga Presidência da Câmara passou a controlar aproximadamente R$ 50 bilhões do Orçamento por meio de emendas. Segundo ele, recursos identificados como emendas de relator (R2) e de bancada (R9) teriam sido transferidos de forma irregular para emendas de comissão, contrariando decisões do STF.
Lista de emendas sob suspeita
No depoimento, o parlamentar citou episódio envolvendo o deputado José Rocha (União Brasil-BA), então presidente de uma comissão. Rocha teria recebido da Presidência da Câmara uma lista para liberação de emendas que alterava acordos firmados pelos demais membros do colegiado. Ao recusar a execução, ele teria sido pressionado por Lira, que ameaçou destituí-lo do cargo.
Braga afirmou que uma secretária de Lira — que ele acredita ser Mariângela Fialek — levava pessoalmente a lista às comissões. Mesmo após a troca no comando da Câmara, Tuca teria permanecido responsável pelo encaminhamento das emendas, de acordo com decisão do ministro Flávio Dino, que citou o depoimento dos parlamentares ao autorizar a operação.
Destinação concentrada em Alagoas
O deputado do PSOL destacou o volume de recursos destinados a municípios de Alagoas aliados de Lira, como Barra de São Miguel, Maragogi, Feliz do Deserto, Novo Lino, Junqueiro e Rio Largo. Ele apontou que Rio Largo, com cerca de 70 mil habitantes, recebeu aproximadamente R$ 90 milhões do chamado orçamento secreto entre 2019 e 2022, dos quais R$ 19 milhões teriam sido indicados diretamente por Lira.
Braga também mencionou o ex-prefeito de Rio Largo, Gilberto Gonçalves, aliado de Lira, preso quatro vezes — uma delas por fatos relacionados ao orçamento secreto, segundo o parlamentar.
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Anomalia na Comissão de Turismo
Outro ponto citado pelo deputado foi a Comissão de Turismo da Câmara. Após o STF suspender uma lista de pagamentos, Alagoas apareceu como estado mais beneficiado, apesar de não haver parlamentares alagoanos no colegiado. Para Braga, o fato indicaria interferência direta de Lira.
Glauber Braga teve o mandato suspenso por seis meses nesta semana por quebra de decoro e afirmou que sofre perseguição do ex-presidente da Câmara devido às críticas que fez à falta de transparência na liberação das emendas.
Com informações de Metrópoles

