Brasília — O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, afirmou nesta sexta-feira (12.dez.2025) que o Congresso Nacional já reúne condições políticas para aprovar o fim da jornada de trabalho em regime 6 × 1 no primeiro semestre de 2026.
Em conversa com jornalistas, Boulos citou o discurso do senador Cleitinho (Republicanos-MG) — aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) — como exemplo de que o tema extrapola divisões ideológicas. O parlamentar relatou, em plenário, que o pai trabalhou em escala 7 × 0 até os 70 anos e morreu sem conseguir conviver com a família, declaração que repercutiu nas redes sociais e recebeu elogios até de adversários políticos.
Relatório preferido pelo Planalto
Segundo o ministro, o governo considera o parecer do deputado Augusto Coutinho (Republicanos-PE) o mais alinhado às diretrizes do Palácio do Planalto. “Coutinho foi absolutamente sensível à pauta dos motoristas, dialogou com o Ministério do Trabalho e incorporou propostas do governo e dos trabalhadores”, afirmou.
Pontos inegociáveis
Boulos reiterou três exigências consideradas irredutíveis pelo Executivo para qualquer texto:
- limite máximo de escala 5 × 2 (cinco dias de trabalho e dois de folga);
- redução da jornada semanal para, no máximo, 40 horas;
- manutenção dos salários, sem cortes.
A proposta é mais moderada que a PEC da deputada Erika Hilton (Psol-SP), que prevê 36 horas semanais distribuídas em quatro dias.
Caminho mais rápido
O ministro informou que a equipe do governo avalia qual via legislativa é mais ágil — projeto de lei ou proposta de emenda à Constituição. “Se for possível por projeto de lei, é mais fácil: não precisa de dois turnos nem de 308 votos”, disse.
Pressão popular
Para Boulos, a popularidade da medida cria constrangimento para parlamentares contrários. Ele mencionou audiência na Comissão de Finanças e Tributação, onde, segundo ele, nenhum deputado da base bolsonarista apareceu. Pesquisa Datafolha citada pelo ministro indica que quase 70% da população apoia a redução da jornada, incluindo 59,4% dos eleitores de direita; 64% defendem especificamente o fim da escala 6 × 1.
Imagem: Internet
Boulos comparou a expectativa de celeridade ao ritmo da votação da dosimetria penal, aprovada na Câmara em poucas horas. “Se houver vontade, o fim da 6 × 1 também pode ser votado no semestre”, declarou.
Prioridade de Lula
O ministro ressaltou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva considera a pauta urgente. Mesmo reconhecendo que o segundo semestre de 2026 será marcado pelo período pré-eleitoral, Boulos mantém otimismo: “Sendo possível em 2026, excelente”.
Ele acrescentou que a experiência do projeto do Imposto de Renda zero, lançado em dezembro de 2024, mostrou que o mercado reage, mas a mobilização popular é decisiva. A expectativa do Planalto é repetir a pressão para acelerar a mudança na legislação trabalhista.
Não há, até o momento, data definida para a votação, mas o governo trabalha para consolidar apoio ainda no início de 2026.
Com informações de Poder360

