Os preços da eletricidade no mercado de curto prazo da França chegaram a zero em 8 de dezembro, garantindo horas de energia gratuita aos consumidores. A combinação de demanda reduzida, inverno ameno e elevada produção de fontes nuclear e renováveis provocou a sobreoferta, segundo a operadora de rede RTE.
De acordo com a RTE, a indústria francesa consome menos eletricidade desde a crise energética de 2022, enquanto a geração eólica, solar e hidráulica avançou. No mesmo período, as usinas nucleares operaram em torno de 85% de sua capacidade, reforçando ainda mais o excedente.
O resultado foi a cotação mais baixa desde 2018, contraste com o pico verificado há três anos, quando o país enfrentou encarecimento do insumo e corte de produção em diferentes setores.
Matriz energética francesa
A França mantém uma das maiores participações nucleares do mundo, responsável por cerca de 65% da eletricidade gerada em 2023. As fontes renováveis somaram 24%, elevando para 92% a fatia de energia considerada limpa — a mais alta do G20, à frente do Brasil (91%) e do Canadá (81%), conforme dados da Ember Climate.
O peso do nuclear, entretanto, diminuiu ao longo das últimas duas décadas: foi de 78% em 2000 para os atuais 65%. No mesmo intervalo, as renováveis saltaram de 12% para 24%.
Desafio da oferta excedente
A RTE alerta que a desaceleração econômica pós-pandemia e a expansão ainda tímida de projetos de eletrificação agravam o desequilíbrio entre oferta e demanda. Para mitigar o problema, a operadora sugere acelerar iniciativas de descarbonização, como veículos elétricos e produção de hidrogênio, em articulação com outros países europeus.
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Em 2024, a França bateu recorde de exportação de energia. Para 2025, a previsão é superar essa marca, atingindo 82 TWh exportados até novembro. Mesmo assim, a infraestrutura de transmissão limitada pode exigir mais capacidade de modulação, o que afeta a rentabilidade de usinas quando operam abaixo do pleno funcionamento.
A RTE também projeta aumento da demanda elétrica no fim desta década, o que exigirá reforço da rede e novos projetos de baixo carbono.
Com informações de Poder360

