Galassi acusa operadoras de vale de tratar Brasil como “galinha dos ovos de ouro”

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Brasília, 13.dez.2025 – O presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), João Galassi, afirmou que as principais empresas de vale-alimentação e refeição têm no Brasil sua principal fonte de lucro e tentam barrar o decreto que atualiza o Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT).

“Trinta por cento do resultado dessas operadoras vem do país por causa das taxas elevadas”, disse Galassi em entrevista gravada em 10 de dezembro no estúdio do jornal digital Poder360 e divulgada neste sábado (13). Segundo ele, o novo regulamento impõe teto de 3,6% para tarifas, prazo máximo de 15 dias para reembolso e põe fim a acordos de exclusividade, o que deve reduzir custos no varejo e ampliar a concorrência.

Resistência e possível judicialização

As quatro companhias que concentram cerca de 90% do mercado sinalizaram que podem recorrer à Justiça contra as mudanças. Galassi declarou que o governo “vai analisar contratos com lupa” se houver contestação. “Essas empresas operam em 50 países, mas 30% do lucro sai daqui. Isso não combina com um programa social”, afirmou.

Impacto para consumidores e estabelecimentos

Hoje, segundo a Abras, as taxas podem chegar a 15% por transação, o que afasta pequenos comerciantes. Galassi citou restaurantes que cobram até 40% a mais quando o pagamento é feito com voucher. Ele acredita que a interoperabilidade entre maquininhas e o fim dos chamados rebates a departamentos de RH aumentarão o poder de compra do trabalhador e poderão expandir o mercado de R$ 200 bilhões para R$ 300 bilhões.

Medicamentos nos supermercados

Com a questão do PAT encaminhada, a Abras concentra esforços na aprovação do Projeto de Lei 2.158/2023, que permite a venda de medicamentos em supermercados. A entidade espera a votação de urgência na Câmara ainda em dezembro. O texto prevê farmácia completa dentro das lojas, com farmacêutico responsável e as mesmas exigências sanitárias aplicadas às drogarias tradicionais. “O consumidor vai ao supermercado nove vezes por mês; é ampliar o acesso à saúde”, argumentou.

Setor representa 9% do PIB

A Abras reúne mais de 420 mil lojas, que atendem cerca de 30 milhões de pessoas diariamente e respondem por aproximadamente 9% do Produto Interno Bruto. Entre as prioridades da entidade para 2026 estão consolidar o decreto do PAT, acompanhar a implantação da reforma tributária, avançar no combate ao desperdício de alimentos e aprovar a venda de remédios nos mercados.

Com informações de Poder360

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