São Paulo reúne 78% dos ônibus elétricos do Brasil; expansão avança devagar em outras capitais

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Ônibus elétricos tornaram-se presença cada vez mais frequente nas ruas da capital paulista. A cidade contabiliza 820 veículos a bateria em circulação, alta de 172% em relação ao fim do ano passado e equivalente a 78% de toda a frota nacional desse tipo.

Como a capital paulista liderou a mudança

A transição em São Paulo é resultado de uma combinação de metas legais, decisões administrativas e crédito subsidiado. A Lei Municipal de Mudanças Climáticas, aprovada em 2009, estabeleceu a eliminação de combustíveis fósseis até 2018; a meta foi postergada para 2038. Em 2019, ainda na gestão João Doria (PSDB), a nova licitação do transporte incluiu cláusulas de descarbonização, reforçadas em 2022 pelo prefeito Ricardo Nunes (MDB), que proibiu a compra de novos ônibus a diesel.

A partir de 2023, a prefeitura passou a subsidiar a diferença de preço entre o veículo elétrico — cerca de três vezes mais caro que o modelo a diesel — e o convencional. Para isso, contratou R$ 6 bilhões em financiamentos de BNDES, Banco do Brasil, Caixa, BID, Banco Mundial e Banco da China, primeiros aportes desse tipo aprovados pelo banco de fomento federal em outubro de 2023.

Desafios na infraestrutura

A implantação esbarrou em atrasos na instalação de carregadores de alta potência nas garagens, dependentes da concessionária Enel. A falta de energia obrigou parte da frota a permanecer parada, problema que vem sendo mitigado com a previsão de baterias estacionárias nos pátios. Mesmo com o avanço, a meta de ter 20% da frota eletrificada — cerca de 2,4 mil veículos — até o fim de 2024 não foi cumprida. Incluindo os trólebus, a marca de 1 000 unidades foi ultrapassada em novembro. O novo objetivo é chegar a 2 200 ônibus elétricos em 2028.

Situação no restante do país

Fora de São Paulo, a adesão ainda é tímida. Belém possui 42 ônibus a bateria, Goiânia 17 e Aracaju 15. Rio de Janeiro e Belo Horizonte não operam nenhum. Entre as dez capitais mais populosas, apenas três responderam sobre seus planos:

  • Salvador – oito ônibus elétricos em operação e tratativas com o Banco Mundial para financiar outros 100. A meta é ter ao menos 50% da frota do BRT movida a zero emissões até 2028 e 40% da frota total com baixa emissão até 2023.
  • Distrito Federal – seis veículos em uso e compra fechada de 90 até o fim de 2026, fabricados pela chinesa CRRC. O primeiro chega em janeiro; os demais começam a ser entregues em março.
  • Recife – não possui ônibus elétricos; estudos de descarbonização estão em curso.

Novo impulso financeiro

O BNDES mantém editais para apoiar a compra de coletivos elétricos e, na COP30, realizada em novembro em Belém, o governo federal anunciou fundo para auxiliar a aquisição de 1 700 veículos. Experiências como a de São Paulo também incentivam modelos alternativos: São José dos Campos quer trocar toda a frota de 400 ônibus até setembro de 2026 por meio de contratos de locação, enquanto Porto Alegre obteve autorização para um empréstimo de R$ 448 milhões do BNDES destinado à compra de 100 veículos e instalação de carregadores.

Especialistas apontam que a substituição exige preparação das operadoras, qualificação de mão de obra e coordenação com o setor elétrico. Apesar dos desafios, fabricantes veem oportunidade de expansão industrial: a brasileira Eletra detém 64% do mercado nacional e projeta que, até o fim de 2026, o país terá a maior frota de ônibus elétricos da América Latina.

Com informações de Poder360

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