Ultrassom 3D e inteligência artificial antecipam diagnóstico de más-formações fetais no Brasil

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Tecnologias como ultrassom tridimensional, inteligência artificial (IA), realidade virtual (RV) e impressão 3D estão mudando a prática da medicina fetal ao permitir diagnósticos mais precoces e planejamento cirúrgico detalhado, mostram estudos publicados em 2025 por pesquisadores brasileiros.

Gêmeos craniópagos identificados às 13 semanas

Em pesquisa divulgada no periódico Ultrasound in Obstetrics & Gynecology, uma equipe do Instituto Estadual do Cérebro Paulo Niemeyer, no Rio de Janeiro, descreveu o uso do ultrassom 3D para confirmar, no primeiro trimestre, o caso de gêmeos craniópagos — condição registrada em 1 a cada 2,5 milhões de nascimentos. A mãe, de 21 anos, foi avaliada com 13 semanas de gestação.

O exame bidimensional inicial revelou a fusão craniana, mas não esclareceu se os bebês compartilhavam tecido cerebral. A captação volumétrica por via transvaginal, reprocessada em software específico, mostrou dois cérebros distintos separados pela dura-máter. A definição anatômica precoce foi decisiva para orientar a família e a equipe neurocirúrgica sobre a viabilidade de futura separação.

Planejamento em ambiente virtual

Com base nas imagens obtidas, designers do Biodesign Lab (PUC-Rio/Dasa) empregaram IA para segmentar cérebro, crânio e vasos sanguíneos, criando modelos digitais em 3D. Esses arquivos foram inseridos em um ambiente de metaverso e acessados por óculos de RV, permitindo que cirurgiões ensaiassem a operação, definissem pontos de corte e simulassem complicações. Réplicas físicas impressas em 3D forneceram percepção tátil adicional antes do procedimento.

IA no acompanhamento rotineiro

Outro estudo, publicado no Journal of Clinical Ultrasound, detalha algoritmos capazes de automatizar medições biométricas fetais e analisar curvas de crescimento, facilitando a detecção antecipada de restrição de crescimento intrauterino. A ferramenta oferece intervenções mais rápidas e personalizadas, aumentando as chances de nascimento em condições seguras.

Corações fetais em realidade virtual

A equipe também relatou, em revista internacional, a segmentação do coração fetal em RV para investigação de cardiopatias congênitas. Médicos podem “navegar” dentro das câmaras cardíacas e planejar cirurgias pós-nascimento com maior precisão. O método já ajudou na identificação pré-natal de variações raras, como a vesícula biliar em “gorro frígio”.

Rumo à medicina 4.0

Revisão publicada na La Radiologia Medica aponta a Realidade Estendida (XR) — combinação de RV, realidade aumentada e mista — como nova fronteira na radiologia, ampliando treinamento, navegação em procedimentos e interação com imagens. Os autores destacam que a integração dessas tecnologias compõe a chamada medicina 4.0, focada em predição e cuidado personalizado.

Segundo os pesquisadores, o conjunto de ferramentas digitais já apoia desde a medição rotineira do abdômen fetal até operações de alta complexidade, funcionando como extensão da prática médica tradicional.

Com informações de Poder360

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