O Parlamento Europeu aprovou nesta terça-feira, 16 de dezembro de 2025, a criação de um mecanismo de salvaguarda que permite suspender temporariamente as preferências tarifárias para produtos agrícolas originários do Mercosul caso esses itens provoquem prejuízos aos produtores da União Europeia.
O texto recebeu 431 votos favoráveis, 161 contrários e 70 abstenções. Pelo dispositivo, a Comissão Europeia será obrigada a abrir investigação sempre que a entrada de produtos considerados sensíveis, como carne bovina ou de frango, aumentar 5% em relação à média dos três anos anteriores. A proposta inicial previa gatilho de 10%.
Com a aprovação no Parlamento, o tema segue para o Conselho Europeu, que reúne representantes dos 27 Estados-membros. O colegiado tem reunião marcada para 18 e 19 de dezembro. A expectativa é concluir a redação final do acordo comercial entre União Europeia e Mercosul e assiná-lo no sábado, 20 de dezembro, durante a 67ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul e Estados Associados, em Foz do Iguaçu (PR).
Negociação de longo prazo
O acordo entre os dois blocos teve entendimento preliminar alcançado em dezembro de 2024, após cerca de 25 anos de discussões. O Mercosul é formado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.
França e outros países manifestaram reservas, temendo impacto sobre seus agricultores, principalmente no setor francês. No domingo, 14 de dezembro, o governo francês pediu o adiamento das votações no Parlamento e no Conselho Europeu.
Imagem: Christian Lue/Unsplash
Alemanha, Suécia e Espanha lideram o grupo de nações que defendem a conclusão do tratado. Esses governos alegam que as preocupações francesas foram contempladas pelas salvaguardas adicionais aprovadas na semana passada e ratificadas agora pelos eurodeputados.
Com informações de Poder360

