Um artigo publicado em 10 de dezembro na revista Interface indica que a desinformação não é exclusividade humana. De acordo com biólogos da Universidade Cornell, nos Estados Unidos, sinais enganosos fazem parte dos sistemas de comunicação de diversas formas de vida, de bactérias a aves.
Revisão de décadas de pesquisas
A equipe revisou estudos produzidos ao longo de vários anos para rastrear como mensagens falsas ou imprecisas circulam na natureza. Os resultados sugerem que a transmissão de informações enganosas é onipresente em ambientes biológicos e deve ser considerada um componente estrutural de sistemas sociais, ecológicos e evolutivos.
Chapim-real lidera índice de alarmes falsos
Entre os exemplos analisados, destaca-se o chapim-real (Parus major). Em áreas de alimentação, cerca de dois terços dos avisos de perigo emitidos por essa espécie são infundados. Parte desses alertas decorre de erros de avaliação, como reagir a uma folha balançando; outra parte, porém, é deliberada e serve para afastar concorrentes e garantir acesso exclusivo à comida.
Mesmo expostos a frequentes alarmes falsos, os pássaros continuam respondendo, pois ignorar um aviso verdadeiro pode custar a vida diante de predadores.
Mentiras em vários reinos
A revisão mostra que o êxito de um engano depende da frequência: quanto mais raro o sinal falso, maior a probabilidade de funcionar. Quando o comportamento se torna comum, o grupo tende a ignorar o emissor. Entre bactérias, por exemplo, há registros de liberação precoce de sinais químicos que induzem outras colônias a ativar defesas antes da hora. Já baleias e golfinhos podem seguir rotas migratórias desatualizadas ao confiar em líderes que mantêm tradições impostas pelo coletivo.
Imagem: Internet
Próximos passos
Após estabelecer a estrutura teórica, os autores pretendem investigar como a desinformação influencia a coesão ou a fragmentação de grupos. Eles também avaliam que princípios semelhantes podem ocorrer em cardumes e redes sociais digitais, nas quais indivíduos tendem a acreditar em quem fala, independentemente da veracidade do conteúdo.
Com informações de Metrópoles

