Câmara converte cassação de Glauber Braga em suspensão de 6 meses com apoio do Centrão

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Brasília — Em votação realizada na madrugada de quinta-feira (11.dez.2025), o plenário da Câmara dos Deputados decidiu aplicar suspensão de seis meses ao deputado Glauber Braga (Psol-RJ), afastando a possibilidade de cassação. O placar foi de 318 votos favoráveis ao afastamento temporário e 141 contrários.

A manobra contou com articulação de partidos de esquerda e o suporte decisivo do Centrão. O deputado Pedro Paulo (PSD-RJ) foi o principal articulador: mesmo não integrando a base de Glauber, comunicou ao próprio partido ser contra a perda definitiva do mandato e trabalhou pela apresentação de um destaque que propunha a suspensão.

De cassação a suspensão

Inicialmente, o plenário apreciaria a cassação de Glauber Braga por quebra de decoro. O Psol, no entanto, protocolou destaque para que a pena fosse convertida em afastamento temporário. Lideranças psolistas negociaram o texto com siglas do bloco de centro, centro-direita e direita.

A sessão avançou pela madrugada. Pedro Paulo permaneceu na Casa até pouco antes do último voo para o Rio de Janeiro. Com a emenda acertada, o líder do PT, Lindbergh Farias (RJ), telefonou solicitando que o deputado retornasse ao plenário como orador do destaque — passo considerado crucial para assegurar votos suficientes.

Papel de Pedro Paulo e alinhamentos

Vice-líder do governo Lula e coordenador do grupo de trabalho da reforma administrativa, Pedro Paulo já havia declarado, na véspera (10.dez), não enxergar gravidade que justificasse cassação: “Vejo erros, mas não a supressão do mandato”, disse.

O parlamentar também divide legenda com Paulo Magalhães (PSD-BA), relator do processo disciplinar, fator que ajudou a reunir apoios extras entre colegas do PSD e de outras siglas do Centrão.

Divisões internas

A sessão da quinta-feira expôs fissuras entre partidos de centro, centro-direita e direita. Na mesma madrugada, a Câmara manteve o mandato da deputada Carla Zambelli (PL-SP). Dos 227 votos favoráveis à cassação de Zambelli, 93 partiram de legendas desse campo político; no caso de Glauber, 177 deputados desses partidos optaram pela suspensão, dos quais 125 pertenciam a MDB, PP, Republicanos e União Brasil — principais siglas do Centrão.

O racha se intensificou após o anúncio da pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência em 2026, oficializada em 25 de novembro, movimento que dividiu apoios na centro-direita.

Com informações de Poder360

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