O governo chinês definiu que o incentivo ao consumo interno será o eixo da política econômica em 2026. A linha foi traçada na Conferência Central de Trabalho Econômico, encerrada na quinta-feira (11.dez.2025) em Pequim.
Macro política mais ativa
A cúpula apontou que o país adotará ajustes anticíclicos e transcíclicos “mais fortes e eficazes”, combinando instrumentos antigos e novos. A estratégia marca recuo em relação ao apelo de 2024 por medidas “extraordinárias”.
A política fiscal continuará “ativa”, mas sem endurecer o discurso de rigor. Pequim pretende manter o déficit próximo de 4% do PIB em 2026, ampliar o orçamento central e flexibilizar o uso de títulos especiais emitidos por governos locais.
No campo monetário, o comunicado fala em política “moderadamente frouxa”, com cortes nas taxas de juros e reduções no compulsório bancário para sustentar o crescimento e recompor preços.
Demanda no centro das atenções
Estimular o mercado interno é a prioridade número 1. O plano inclui afrouxar restrições ao consumo consideradas injustificadas e elevar a renda de moradores urbanos e rurais.
Para reverter a recente queda dos investimentos, o governo promete ampliar aportes do orçamento central, otimizar projetos de infraestrutura e estimular o setor privado por meio de bancos de desenvolvimento e linhas direcionadas.
A conferência reconheceu pela primeira vez, de forma explícita, o compromisso de inverter a contração dos investimentos e reiterou o objetivo de estabilizar o mercado imobiliário com políticas específicas para cada cidade.
Inovação, reforma e abertura
Depois da demanda, as prioridades seguintes são inovação, reforma e abertura. Estão previstas reformas mais profundas do “mercado unificado”, combate à concorrência desleal, reestruturação de estatais e maior proteção jurídica às empresas privadas.
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O governo reafirmou a intenção de avançar na abertura “de alto padrão”, com maior liberalização de serviços, ajustes em zonas de livre-comércio e apoio aos segmentos de comércio digital e verde.
Gestão de riscos
A prevenção de riscos aparece em oitavo lugar, mas permanece central. Entre as medidas anunciadas estão redução de estoques de imóveis, conversão de unidades encalhadas em habitações subsidiadas e limites a novos passivos ocultos de governos locais.
Projeções de mercado
Para a Capital Economics, a reunião indica continuidade de apoio fiscal e monetário, mas não um pacote de estímulo agressivo. A casa prevê cortes de 30 pontos-base nos juros e redução de 75 pontos-base no compulsório até o fim de 2026 — ritmo considerado insuficiente para reacender a demanda por crédito.
A Nomura destaca o “compromisso inédito” de frear a queda dos investimentos, enquanto a China Merchants Securities avalia que o tom monetário favorável deve sustentar o mercado acionário chinês no próximo ano. Historicamente, ações de grandes companhias dos setores petroquímico, telecomunicações e eletrônicos tendem a se valorizar na semana seguinte à conferência.
Segundo dados oficiais, o PIB chinês cresceu 5,2% nos três primeiros trimestres de 2025. O FMI projeta expansão de 5% neste ano e de 4,5% em 2026.
Com informações de Poder360

