Bruxelas – A Comissão Europeia iniciou uma análise aprofundada da proposta que coloca TiL (Terminal Investment Limited), BlackRock e Hutchison Ports no controle conjunto da operadora Tercat, responsável pelo Best (Barcelona Europe South Terminal), principal terminal de contêineres do Porto de Barcelona.
Anunciada em janeiro de 2024, a operação prevê que a TiL – braço de terminais do grupo MSC (Mediterranean Shipping Company) – adquira 50% da instalação. Os 50% restantes permanecem com a Hutchison Ports, que continuará administrando o terminal.
Em avaliação preliminar, o órgão antitruste europeu apontou risco de redução da concorrência, possibilidade de aumento de preços e eventual queda na qualidade dos serviços para companhias que não pertencem à MSC, principal cliente do Best. Segundo a Comissão, há indícios de que a entidade combinada poderia favorecer a linha de navegação ligada ao grupo suíço, oferecendo acesso prioritário a cais, guindastes e áreas de armazenagem.
A autoridade destacou ainda que as transportadoras afetadas teriam opções limitadas de migração: o outro terminal em águas profundas de Barcelona, o TCB, é administrado pela dinamarquesa Maersk, concorrente direta da MSC.
O processo foi enquadrado na fase 2 do controle de fusões da União Europeia, etapa reservada a casos com potenciais impactos significativos sobre a competição. Bruxelas tem até 30 de abril de 2026 para aprovar, impor condições ou vetar a transação.
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Reflexos no Brasil
A TiL também figura entre os interessados no Tecon 10, megaterminal planejado para o Porto de Santos (SP). Em 8 de janeiro, o Tribunal de Contas da União recomendou que o leilão ocorra em duas fases: a primeira vedaria a participação de armadoras; na segunda, elas só poderiam disputar caso não surjam propostas válidas de novos entrantes e teriam de vender ativos já existentes no complexo santista.
Empresas que atuam em Santos avaliam contestar o modelo bifásico no Judiciário, alegando insegurança jurídica e restrição à competitividade. A TiL informou que também pretende acionar a Justiça para defender seus interesses e aguarda posicionamento da Casa Civil.
Com informações de Poder360

