Marie Owens Thomsen, vice-presidente de Sustentabilidade e economista-chefe da Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata), afirmou que o mercado global de aviação enfrenta “escassez aguda” de créditos de carbono e apontou o Brasil como país com potencial para suprir parte dessa demanda.
Em entrevista concedida na quarta-feira (10.dez.2025) em Genebra, a executiva destacou que as empresas aéreas precisarão adquirir 200 milhões de toneladas de CO2 em créditos até o fim de 2026 para cumprir o Corsia — mecanismo da Organização da Aviação Civil Internacional (Oaci) que torna a compensação de emissões obrigatória a partir de 2027. Atualmente, segundo ela, o volume disponível não passa de 50 milhões de toneladas.
Brasil “poderia ser o farol do mundo”
Para Owens Thomsen, o país dispõe de condições naturais e tecnológicas para desenvolver projetos capazes de gerar créditos certificados, atraindo recursos internacionais e ajudando a própria aviação a zerar emissões líquidas no longo prazo. “O Brasil poderia ser o primeiro país com emissões líquidas negativas”, afirmou.
SAF: necessidade de incentivo
A economista reforçou ainda a importância de estímulos governamentais à produção de SAF (sigla em inglês para combustível sustentável de aviação). Segundo estimativas da Iata, a oferta atual é insuficiente para que as companhias atinjam metas voluntárias de uso do produto.
Críticas a novos tributos
Owens Thomsen classificou como “política muito ruim” a criação de impostos específicos sobre passagens aéreas e demonstrou preocupação com a possibilidade de o futuro Imposto sobre Valor Agregado (IVA) brasileiro incidir sobre voos internacionais, contrariando recomendações da Oaci.
Imagem: Internet
Ela argumenta que taxas adicionais pouco contribuem para a redução de emissões e acabam elevando custos ao consumidor, enquanto a expansão do mercado de carbono poderia gerar receitas maiores e direcionadas a projetos ambientais.
A entrevista foi publicada no domingo (14.dez.2025).
Com informações de Poder360

