A Enel Distribuição São Paulo informou, na noite de domingo (14/12), que o fornecimento de energia na capital e na Região Metropolitana retornou ao “padrão de normalidade” em sua área de concessão. Apesar do comunicado, o próprio monitoramento da concessionária registrava, às 21h02, 46.129 imóveis ainda sem luz apenas na cidade de São Paulo.
De acordo com o balanço divulgado no mesmo horário, Cotia era o segundo município mais afetado, com 12.496 consumidores desligados. Itapecerica da Serra aparecia em seguida, somando 3.547 unidades sem abastecimento.
Vendaval derrubou a rede
O apagão teve início na quarta-feira (10/12), quando a passagem de um ciclone extratropical provocou rajadas de quase 100 km/h e deixou mais de 2 milhões de imóveis sem energia elétrica. Em alguns pontos, a interrupção persiste há cinco dias.
Além dos prejuízos em residências e comércios, a falta de eletricidade também causou desabastecimento de água e comprometeu o trânsito devido à falha em semáforos. A ventania derrubou dezenas de árvores e levou ao cancelamento de mais de 300 voos nos aeroportos paulistas.
Trabalho de reparo continua
Segundo a Enel, equipes seguem atuando nos “casos mais complexos” de reconstrução de rede, que exigem troca de cabos, postes e outros equipamentos. Técnicos também atendem novas ocorrências registradas após o evento climático.
No comunicado, a empresa destacou que o vendaval foi o mais prolongado já observado na região. As medições apontaram picos de 82,8 km/h no Mirante de Santana e de 98,1 km/h na Lapa, conforme dados do Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE) da Prefeitura.
Imagem: Internet
Oscilação no total de afetados
A evolução dos desligamentos mostra:
- Quarta-feira (10/12): mais de 2 milhões de imóveis sem energia;
- Quinta-feira (11/12): cerca de 1,5 milhão;
- Sexta-feira (12/12): mais de 800 mil;
- Sábado (13/12): aproximadamente 470 mil;
- Domingo de manhã (14/12): cerca de 160 mil;
- Domingo à noite (14/12): 46.129 na capital, segundo a própria Enel.
Pressão sobre renovação de contrato
Na sexta-feira (12/12), o Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (MPTCU) recomendou a suspensão de qualquer ato da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) relacionado à renovação do contrato da Enel. O subprocurador-geral Lucas Rocha Furtado alegou falhas graves na prestação do serviço e defendeu que o TCU adote medidas preventivas.
O parecer sustenta que fenômenos naturais como fortes ventos e chuvas não podem ser considerados imprevisíveis em São Paulo, cidade que historicamente enfrenta eventos climáticos intensos.
Com informações de Metrópoles

