Médica aponta possíveis prejuízos do Mounjaro a força e recuperação de atletas do São Paulo

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A utilização do medicamento Mounjaro (tirzepatida) por dois jogadores do elenco profissional do São Paulo, confirmada nesta sexta-feira (12.dez.2025), motivou alerta da médica do esporte e cirurgiã ortopédica Ana Paula Simões. Em entrevista ao Poder360, a especialista afirmou que a substância pode comprometer potência, força, resistência e recuperação muscular de atletas de alto rendimento quando não há acompanhamento rigoroso.

De acordo com Ana Paula, o fármaco — indicado para controle de peso e diabetes — reduz o apetite e, consequentemente, a ingestão energética. “O Mounjaro não é neutro no contexto esportivo; sem controle de ingestão calórica, proteína e treinamento de força, há aumento do risco de lesão”, disse.

Perda de massa magra

Estudos citados pela médica mostram que entre 25% e 40% da perda de peso associada à tirzepatida pode ocorrer às custas de massa magra. Essa redução, somada à queda na ingestão calórica, prejudica a taxa de desenvolvimento de força, a explosão muscular e o recrutamento neuromuscular — capacidades essenciais no futebol para sprints, saltos e mudanças de direção.

Efeitos imediatos

Ana Paula destacou que, nas primeiras semanas de uso, são comuns náusea, saciedade precoce, fadiga e queda de rendimento, mesmo antes de alterações significativas na composição corporal. A especialista acrescentou que usuários relatam diminuição espontânea de 500 a 1.000 calorias diárias, patamar incompatível com a demanda energética de atletas profissionais.

Desempenho durante as partidas

Menor ingestão de carboidratos e reposição insuficiente de glicogênio podem resultar em queda de desempenho no segundo tempo das partidas, redução da capacidade de repetir sprints e fadiga precoce. A recuperação entre treinos e jogos também fica comprometida pela dificuldade em atingir a ingestão adequada de proteínas e calorias.

Lesões e acompanhamento

Segundo a médica, o medicamento não provoca lesões musculares diretamente, mas cria um ambiente fisiológico mais vulnerável quando há déficit energético crônico, perda de massa muscular e recuperação inadequada. Ela recomenda que tirzepatida não seja utilizada com fins estéticos por atletas sem acompanhamento médico e nutricional conjunto.

Procurado pelo Poder360 para comentar o tema, o São Paulo não respondeu até a publicação desta reportagem. O clube havia informado, mais cedo, que a decisão de prescrever o remédio foi tomada após avaliações clínicas individualizadas e que não há relação entre o uso do Mounjaro e o aumento de lesões na temporada.

Com informações de Poder360

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