O engenheiro de software e escritor norte-americano Curtis Yarvin, figura influente da chamada nova direita dos Estados Unidos, afirmou que a crise de legitimidade enfrentada pelas democracias ocidentais decorre, principalmente, de uma “disfunção” nas duas instituições que, segundo ele, moldam a opinião pública: academia e mídia. “Essas estruturas passaram a adotar ideias que servem mais aos próprios interesses do que ao interesse do país”, declarou.
Entrevista em São Paulo
Yarvin concedeu entrevista de cerca de 40 minutos ao portal Metrópoles no dia 29 de novembro, em São Paulo, onde participou do congresso anual do Movimento Brasil Livre (MBL) como convidado internacional. O autor, conhecido online pelo pseudônimo Mencius Moldbug, popularizou termos como red pill e “Catedral” – este último definido por ele como o conjunto formado por universidades e veículos de comunicação que direciona o debate público nas democracias modernas.
Críticas à democracia contemporânea
Na conversa, Yarvin diferenciou dois sentidos da palavra “democracia”. Para o escritor, quando o conceito é usado para descrever o poder de universidades, imprensa e burocracia estatal, trata-se de “oligarquia”. Ele também associou democracia, em outra acepção, ao populismo das “mães do Facebook” (ou “tias do zap”, no Brasil), que, na visão dele, mistura “senso comum com teorias conspiratórias”.
Populismo e elites
Yarvin argumentou que tanto o populismo quanto a elite acadêmica perderam capacidade de oferecer soluções concretas. “Os países estão doentes e as elites enlouqueceram”, disse. Para ele, líderes populistas, como o ex-presidente Jair Bolsonaro, fracassaram por não conseguir organizar um governo eficiente. Já as elites universitárias teriam se afastado da realidade ao priorizar propostas que ampliam sua própria influência.
Modelo de governo
Defensor de ideias classificadas como neorreacionárias, Yarvin já escreveu que os Estados deveriam ser chefiados por uma espécie de “rei-CEO” assessorado por um conselho, em vez de presidentes eleitos. Ele elogiou aspectos de regimes pré-liberais e citou a China como exemplo de Estado que, na avaliação dele, superou a lógica do Consenso de Washington.
Imagem: Internet
Proximidade com figuras da direita
Leitura comum entre milionários do Vale do Silício e por integrantes do governo Donald Trump – como o atual vice-presidente norte-americano, J.D. Vance – Yarvin voltou a criticar o modelo de financiamento político dos Estados Unidos, afirmando que grandes doadores conservadores ainda não assumiram a responsabilidade de apresentar projetos alternativos ao progressismo.
A entrevista completa, na íntegra e em ordem cronológica, foi publicada pelo Metrópoles nesta quinta-feira.
Com informações de Metrópoles
