São Paulo — O escritor e engenheiro de software norte-americano Curtis Yarvin, considerado referência ideológica para figuras próximas ao ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump, declarou que um eventual governo republicano “certamente teria algo a oferecer” ao Brasil em troca da libertação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Em entrevista concedida ao Metrópoles em 29 de novembro, durante o congresso do Movimento Brasil Livre (MBL) na capital paulista, Yarvin afirmou acreditar que “parte do governo Trump ficaria feliz em ver Bolsonaro perdoado e fora da cadeia”, embora não soubesse detalhar qual contrapartida poderia ser apresentada a Brasília.
Interesse de Washington
“Tenho certeza de que há algo que o governo brasileiro pode ganhar com o governo Trump se decidir libertar Jair Bolsonaro. Só não sei o que poderia ser”, disse. Para ele, a eventual libertação não significaria apoio político direto ao ex-mandatário brasileiro, mas refletiria o valor que Trump atribui à lealdade.
Cenário recente
As declarações ocorrem poucos dias depois de o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC), do Departamento do Tesouro dos EUA, revogar sanções impostas com base na Lei Magnitsky ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, à sua esposa, Viviane Barci de Moraes, e à empresa do casal. Em nota, a Casa Branca avaliou que a aprovação do chamado PL da Dosimetria — que reduz penas aplicáveis a Bolsonaro — foi “um passo na direção correta”, fator que contribuiu para a remoção das penalidades.
Laços com a direita americana
Yarvin é lido por empresários do Vale do Silício, como o bilionário Peter Thiel, e por políticos republicanos, entre eles o atual vice-presidente J.D. Vance. Na internet, tornou-se conhecido pelo pseudônimo “Mencius Moldbug” e pela criação do termo “red pill” como metáfora política.
Imagem: Internet
Questionado sobre tentativas de integrantes da família Bolsonaro — como o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) — de buscar apoio junto a Trump, Yarvin defendeu que qualquer negociação deve ocorrer “de forma mais sigilosa” e reiterou que Bolsonaro “não representa mais ameaça ao Estado brasileiro”.
A entrevista, que durou aproximadamente 40 minutos, aconteceu durante a passagem de Yarvin pelo Brasil como convidado do evento anual do MBL.
Com informações de Metrópoles
