Brasília — O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, informou nesta terça-feira (15.dez.2025) que a corporação apura a atuação de um grupo de garimpeiros suspeito de facilitar a saída clandestina do deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) para os Estados Unidos.
De acordo com Rodrigues, as investigações mostram que o parlamentar atravessou a fronteira rumo à Guiana sem passar por postos migratórios oficiais. De lá, embarcou no aeroporto de Georgetown em voo comercial com destino a Miami.
Prisão de suspeito no fim de semana
No sábado (13.dez.2025), agentes federais prenderam Celso Rodrigo de Mello Júnior, filho do garimpeiro Celso Rodrigo de Mello. A detenção ocorreu no âmbito da mesma apuração que tenta localizar Ramagem, condenado a 16 anos, 1 mês e 15 dias de reclusão pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por participação em tentativa de golpe de Estado.
Mandado de prisão e paradeiro desconhecido
O ministro Alexandre de Moraes determinou a prisão do deputado em 21 de novembro, após o político ser visto em um condomínio de luxo em North Miami. Desde então, Ramagem é considerado foragido.
Câmara diz não ter sido avisada
A Câmara dos Deputados declarou não ter recebido comunicação sobre a viagem ao exterior nem autorização para missão oficial. Conforme a Casa, o parlamentar apresentou atestados médicos referentes aos períodos de 9.set a 8.out e de 13.out a 12.dez de 2025. Apesar disso, registros internos apontam participação dele em votações, incluindo sessão presencial em outubro.
Detalhes da condenação
Por maioria, a 1ª Turma do STF entendeu que Ramagem integrava organização criminosa que usou a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) para monitorar adversários do então presidente Jair Bolsonaro e espalhar desinformação. Os ministros Alexandre de Moraes (relator), Flávio Dino, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin votaram pela condenação; Luiz Fux divergiu. Além da pena de prisão, a Turma decidiu pela perda do mandato, decisão que deve ser comunicada à Mesa da Câmara.
Segundo Moraes, o ex-diretor da Abin empregou a agência como “central paralela de contrainteligência” para construir narrativas falsas contra opositores e desacreditar o processo eleitoral. Mensagens anexadas ao processo mostram Ramagem afirmando a Bolsonaro que “a urna eletrônica já se encontra em total descrédito perante a população”.
As investigações sobre a fuga prosseguem sob sigilo, e a Polícia Federal ainda busca localizar o deputado.
Com informações de Poder360
