A Polícia Federal prendeu, na manhã de segunda-feira (8/12), dois policiais militares do Rio de Janeiro acusados de fornecer informações sigilosas do Estado à cúpula do Comando Vermelho (CV).
Os detidos são o 2º sargento Rodolfo Henrique da Rosa, integrante do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), e o policial militar Luciano da Costa Ramos Junior. De acordo com a investigação, ambos integravam um núcleo de informantes infiltrados nas forças de segurança.
Ligação direta com chefes do tráfico
Segundo a PF, Da Rosa era responsável pela escala de equipes do Bope, função que lhe dava acesso antecipado a horários, efetivos e rotas de operações. As informações teriam sido repassadas a Carlos da Costa Neves, o “Gardenal”, gerente-geral do tráfico no Complexo da Penha e uma das principais lideranças do CV em liberdade.
Além de Gardenal, os vazamentos também favoreceriam Edgar Alves de Andrade, o “Doca”, considerado atualmente o principal dirigente da facção fora do sistema prisional. Ambos são alvos de mandados de prisão cumpridos na mesma ofensiva.
Origem da investigação
A Operação Tredo surgiu do compartilhamento de provas obtidas na Operação Buzz Bomb, deflagrada em 2024 para apurar o fornecimento de drones ao CV por um militar da Marinha. Documentos e mensagens analisados revelaram um grupo maior de agentes de segurança repassando dados estratégicos à facção, o que motivou a abertura de novo inquérito e levou à identificação dos dois PMs.
Possível pagamento e crimes investigados
A PF apura se os policiais recebiam remuneração direta do Comando Vermelho pelas informações vazadas. Eles podem responder por organização criminosa armada, corrupção passiva e ativa, homicídio, tráfico de drogas, porte ilegal de arma de fogo e violação de sigilo funcional.
Imagem: Internet
Missão Redentor 2
A ação integra a Missão Redentor 2, esforço permanente da Polícia Federal para enfraquecer o Comando Vermelho no Rio de Janeiro, em consonância com as diretrizes da ADPF 635, do Supremo Tribunal Federal.
O termo Tredo, que batiza a operação, é uma palavra antiga que significa “traidor”, referência a agentes que, mesmo dentro das forças de segurança, colaborariam com a maior facção criminosa do estado.
Com informações de Metrópoles

