Políticos de direita defendem adoção do modelo de segurança de Bukele no Brasil

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São Paulo, 7.dez.2025 — Governador, deputados e lideranças de direita passaram a citar o “modelo Bukele” de combate ao crime, aplicado em El Salvador desde 2019, como exemplo a ser seguido no Brasil.

Quem defende

O governador paulista Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e o presidente do MBL, Renan Santos (Missão-SP), elogiaram publicamente a estratégia do presidente salvadorenho Nayib Bukele. Nikolas visitou o país em novembro, enquanto Renan declara que a população brasileira apoia “encarceramento em massa”, nos moldes centro-americanos.

Queda nos homicídios

El Salvador registrava uma das maiores taxas de assassinatos da América Latina. Em agosto de 2015, foram 911 homicídios. Após Bukele assumir, os índices recuaram; dados oficiais indicam 114 mortes em 2024, contra 3.346 em 2018 — redução de 97 %.

Estado de exceção prolongado

Desde março de 2022, o país opera sob regime de exceção, prorrogado 41 vezes até agosto de 2025. A medida suspende garantias constitucionais, permite prisões sem ordem judicial e facilitou a detenção de cerca de 84 mil suspeitos de integrar gangues, num território com pouco mais de 6 milhões de habitantes.

Mega-presídio Cecot

Inaugurado em 2023, o Centro de Confinamento do Terrorismo (Cecot) comporta até 40 mil detentos em 256 celas distribuídas por oito pavilhões. Localizado em Tecoluca, a 75 km da capital, o complexo é cercado por muros altos, cercas eletrificadas, câmeras e torres de vigilância. Não há visitas, atividades ao ar livre nem programas de reabilitação.

Propostas para o Brasil

O deputado Kim Kataguiri (União Brasil-SP) defende adaptar o modelo. Ele sugere declarar Estado de Defesa para flexibilizar quebras de sigilo, buscas, apreensões e prisões domiciliares, com a Polícia Militar liderando as operações e as Forças Armadas em apoio.

Críticas de direitos humanos

A Comissão Interamericana de Direitos Humanos alertou em 14.ago.2025 para denúncias de prisões arbitrárias, tortura e mortes de mais de 400 pessoas sob custódia estatal. A Anistia Internacional classificou, em nov.2024, as violações como sistemáticas.

Especialistas questionam a confiabilidade dos dados criminais salvadorenhos após o enfraquecimento institucional. Para o professor Fabio Luis Barbosa dos Santos, da Unifesp, a comunicação oficial é peça-chave na construção da imagem de sucesso do governo.

Reação da esquerda

A pauta ganhou força após a megaoperação de 28.out.2025 contra o Comando Vermelho no Rio, que deixou 122 mortos — cinco policiais. Pesquisa Genial/Quaest mostrou aprovação de 67 % da população. O vice-presidente nacional do PT, Washington Quaquá, descarta métodos que suprimam a democracia, embora defenda penas mais duras e força-tarefa temporária de até 10 anos dentro da legalidade.

A discussão sobre o endurecimento das políticas de segurança prossegue no Congresso em meio à pressão eleitoral por respostas ao avanço de facções criminosas.

Com informações de Poder360

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