Putin nega anexação da Crimeia e ameaça ocupar todo o Donbas se Ucrânia não recuar

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Moscou – O presidente da Rússia, Vladimir Putin, voltou a defender nesta quinta-feira (4/12) a presença russa na Crimeia e elevou o tom contra a Ucrânia. Em entrevista divulgada pelo Kremlin, o líder afirmou que Moscou “não anexou” a península em 2014, mas apenas socorreu “pessoas ameaçadas após um golpe de Estado em Kiev”.

“Não anexamos a Crimeia. Quero deixar isso bem claro. Simplesmente viemos ajudar pessoas que não queriam ver suas vidas e futuros à mercê daqueles que orquestraram o golpe na Ucrânia”, declarou.

Putin acrescentou que os habitantes da região aceitaram integrar a Ucrânia quando a União Soviética se dissolveu, porém se sentiram inseguros após a mudança de governo em 2014. O presidente também rejeitou a tese de que o interesse russo estivesse ligado ao porto estratégico da Crimeia: “Não havia necessidade de tomar o porto. Nossa Marinha estava estacionada lá em virtude de um acordo com a Ucrânia, isso é um fato”.

Pressão sobre o Donbas

No mesmo pronunciamento, Putin avisou que a Rússia assumirá o controle total das províncias de Donetsk e Luhansk se Kiev não retirar suas forças. “Ou libertamos esses territórios pela força das armas, ou as tropas ucranianas deixam esses territórios”, disse.

Atualmente, segundo cálculos de Moscou, as forças russas ocupam 19,2% do território ucraniano, incluindo toda Luhansk, mais de 80% de Donetsk e áreas de Kherson, Zaporizhzhia, Kharkiv e Sumy. Cerca de 5 mil km² de Donetsk permanecem sob domínio de Kiev.

Na última semana, o Kremlin anunciou a tomada das cidades estratégicas de Pokrovsk e Vovchansk, no leste da Ucrânia. A capital ucraniana contesta as informações e acusa os russos de superdimensionar avanços militares para desgastar a defesa de Kiev.

Negociações restritas a Moscou e Washington

Paralelamente, o assessor do Kremlin Yuri Ushakov confirmou que as discussões sobre um possível acordo de paz ocorrem apenas entre Rússia e Estados Unidos, sem participação europeia. A declaração foi dada após uma reunião de quase cinco horas, na terça-feira (2/12), entre Putin e os enviados norte-americanos Steve Witkoff e Jared Kushner.

De acordo com Ushakov, Moscou apresentou críticas e sugestões aos documentos levados pelos EUA, classificando o encontro como “franco, útil e construtivo”.

Autoridades ucranianas viajaram nesta quinta-feira para Washington a fim de expor a posição de Kiev. O presidente Volodymyr Zelensky reiterou que não aceitará qualquer concessão territorial.

Nos Estados Unidos, o ex-presidente Donald Trump disse que Zelensky “demorou demais” para negociar com Moscou. “Eu disse: vocês não têm cartas na manga. Aquele era o momento de negociar”, afirmou o republicano.

Com informações de Metrópoles

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