A ex-servidora Katiane Ferreira Barboza, apontada como funcionária fantasma no gabinete do então deputado federal André Fufuca (PP-MA), recebia R$ 14,1 mil mensais entre salário e auxílio-alimentação enquanto ocupava um Cargo em Comissão de Natureza Especial (CNE) na Câmara dos Deputados.
Nomeada em 30 de setembro de 2019, Katiane passou a atuar menos de um mês depois no Ministério da Saúde, em Brasília, sem se desligar do posto legislativo. A sobreposição de funções levou o Tribunal de Contas da União (TCU) a instaurar uma Tomada de Contas Especial para apurar o prejuízo aos cofres públicos, identificar os responsáveis e cobrar ressarcimento. O valor atualizado, segundo o tribunal, é de R$ 284 mil (corrigido até outubro deste ano).
Na época, Fufuca exercia a função de quarto-secretário da Mesa Diretora, setor responsável pela administração dos apartamentos funcionais da Câmara. Durante o processo disciplinar interno, ele declarou que a assessora havia sido cedida informalmente à liderança do PP, mas que ainda trabalhava na Quarta-Secretaria. Questionado sobre a troca do registro de ponto — de biométrico para assinatura diária de folha —, o parlamentar disse não se lembrar do motivo.
A Comissão de Processo Administrativo Disciplinar da Câmara concluiu que Katiane fraudou o controle de frequência entre 30 de setembro de 2019 e 24 de agosto de 2020, período em que também exercia o cargo de coordenadora de Assuntos Orçamentários no Ministério da Saúde. O colegiado apontou que ela recebeu remuneração sem prestar serviço efetivo ao Legislativo.
Em depoimento, Katiane admitiu ter registrado presença diariamente na Câmara antes de cumprir jornada no ministério e alegou que realizava tarefas para Fufuca de forma remota. Ela afirmou ainda que o deputado tinha conhecimento da dupla atuação. Apesar disso, a comissão considerou que não houve comprovação de trabalho na Câmara, lembrando que servidores em CNE devem cumprir expediente presencial, conforme o regimento interno.
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Procurados pela reportagem, o atual ministro do Esporte, André Fufuca, e Katiane Barboza não responderam aos pedidos de esclarecimento até o fechamento desta matéria.
Com informações de Metrópoles

