Brasília — 12.dez.2025, 10h23 – A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que as novas tarifas de importação aprovadas pelo Senado mexicano podem atingir até US$ 1,7 bilhão das exportações do Brasil, valor equivalente a 14,7% do que o país vendeu ao México em 2024.
Alcance da medida
Segundo o estudo da CNI, 232 produtos da indústria de transformação estão na lista de itens suscetíveis ao aumento tarifário. Deste total, 67,6% correspondem a bens intermediários, utilizados como insumos no comércio intraindústria.
A entidade afirma que 59,8% dos itens potencialmente afetados hoje contam com preferência tarifária integral nos acordos vigentes entre os dois países, enquanto 40,2% não dispõem de cobertura ou têm preferência reduzida.
Setores mais expostos
O segmento de veículos automotores concentra o maior risco, com impacto projetado de US$ 922,3 milhões, cifra que representa 53,8% do montante total ameaçado. Entre os produtos mais sensíveis estão motores de pistão, veículos de passageiros e componentes.
Detalhes da decisão mexicana
Na quarta-feira, 10.dez.2025, o Senado do México aprovou, por 76 votos a 5 (35 abstenções), tarifas de até 50% sobre importações provenientes da China e de outros países, inclusive o Brasil. A medida, parte do Programa de Protección para las Industrias Estratégicas, abrange mais de 1.400 produtos – sobretudo têxteis, vestuário, aço, autopeças, plásticos e calçados – e entrará em vigor em 2026. A taxa média deve passar de 16,1% para 33,8%, podendo chegar a 50% em algumas categorias.
Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) indicam que, de janeiro a novembro de 2025, o México importou US$ 7,14 bilhões em mercadorias brasileiras, o que correspondeu a 2,2% de todas as exportações do Brasil no período. A CNI calcula que o Brasil pode ser o quinto país mais impactado pelas novas tarifas.
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Reação da indústria brasileira
A confederação defende a negociação de um acordo de livre-comércio mais abrangente com o México para reduzir perdas de competitividade. A CNI também sugere que os governos intensifiquem o diálogo a fim de buscar isenção ou tratamento diferenciado para produtos brasileiros.
A entidade aguarda possíveis ajustes no escopo das tarifas mexicanas para refinar as projeções, mas reitera que, no formato atual, a medida tende a elevar custos de produção e dificultar fluxos de comércio e investimentos bilaterais.
Com informações de Poder360

