O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta segunda-feira, 15 de dezembro de 2025, a realização de diligências urgentes no inquérito que apura supostas fraudes envolvendo o Banco Master. A Polícia Federal (PF) terá 30 dias para ouvir todos os investigados e dirigentes do Banco Central (BC) citados no processo.
No despacho proferido na Reclamação 88.121, que tramita sob sigilo, Toffoli destacou que a medida visa preservar o Sistema Financeiro Nacional e proteger os usuários do setor. Entre as providências, estão:
- oitiva dos investigados pela PF para esclarecimento das denúncias;
- oitiva de dirigentes do BC sobre temas relacionados às suas atribuições e possíveis reflexos em outras instituições financeiras;
- possibilidade de requisitar informações a órgãos públicos e empresas;
- solicitação, mediante autorização judicial, de quebras de sigilo telefônico, telemático, de correspondência ou fiscal.
As audiências poderão ocorrer presencialmente ou por videoconferência nas dependências do STF, com acompanhamento de juízes auxiliares do gabinete do relator. O ministro ainda determinou a comunicação imediata do despacho à Polícia Federal e ao procurador-geral da República, que poderá designar um subprocurador-geral para acompanhar as diligências.
Supremo concentra processo
No início de dezembro, Toffoli transferiu para o STF todas as decisões e diligências relativas ao caso Banco Master, retirando-as das instâncias inferiores. A medida foi adotada poucos dias depois de o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) revogar a prisão preventiva de Daniel Vorcaro, controlador do banco.
Vorcaro foi preso em 17 de novembro, no Aeroporto de Guarulhos, quando se preparava para viajar aos Emirados Árabes Unidos. Suspeito de liderar um esquema de fraude, ele usa tornozeleira eletrônica e cumpre medidas cautelares desde a revogação da prisão. Os investigados Augusto Ferreira Lima, Luiz Antonio Bull, Alberto Feliz de Oliveira e Angelo Antonio Ribeiro da Silva também tiveram as detenções revogadas.
Investigação e operação Compliance Zero
A investigação começou em 2024, após o Banco Central identificar irregularidades nas operações do Banco Master e acionar o Ministério Público Federal (MPF). Segundo a PF, a instituição emitia Certificados de Depósito Bancário (CDBs) prometendo rendimentos 40% acima das taxas praticadas pelo mercado, gerando um rombo estimado em R$ 12 bilhões.
Imagem: Internet
Como consequência, o BC colocou o Banco Master sob administração especial temporária por 120 dias e decretou a liquidação do conglomerado. A ação resultou na Operação Compliance Zero, deflagrada em parceria com o MPF.
As diligências determinadas por Toffoli buscam avançar na coleta de provas e esclarecer a participação de cada suspeito no esquema.
Com informações de Poder360

